Reparação do Coração de Maria

Foi sempre conhecida e praticada, mas sobretudo a partir da Idade Média, o tema compaixão para com Nossa Senhora, pelo muito que sofreu durante a vida, mas sobretudo no Calvário. Tem raízes no Evangelho esta manifestação da piedade cristã, que sempre se impressionou com as palavras proferidas pelo santo velho Simeão: “Uma espada trespassará a tua alma” (Lc 2,35). Manifestações desta piedade filial são as duas festas da Senhora das Dores, uma na sexta-feira, antes do Domingo de Ramos e outra no dia 15 de Setembro; tantas imagens, quadros, confrarias, livros, sermões e poesias, uma das quais, incomparavelmente bela. É a seqüência “Stabat Mater”.

Tudo isto é compaixão pelos sofrimentos de Maria no tempo de Cristo. Que o pecado, ainda “agora e aqui” ofenda, entristeça e, em certo sentido, faça sofrer o amor ou o Coração de Nossa Senhora e que, por isso, Ela peça reparação e consolação, é um aspecto novo que a mensagem de Fátima põe em relevo. Efetivamente, a Virgem Maria veio pedir desagravo, não só pelos pecados de outrora, mas também pelos de agora.

É nota distintiva da Mensagem de Fátima, a reparação ao Coração de Maria. Até estas aparições, era de costume representar o Coração de Nossa Senhora cercado de rosas. Em Fátima aparece circundado de espinhos, que ferem e magoam. São os nossos pecados, blasfêmias e ingratidões.

Logo na segunda aparição, viram os Pastorinhos o Coração de Maria “cercado de espinhos que pareciam estarem-lhe cravados. Compreendemos – escreve Lúcia – que era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação”.

Na aparição seguinte, anuncia a Mãe de Deus que virá mais tarde pedir a “Comunhão reparadora dos primeiros sábados” e ensina-lhes este oferecimento, que hão de repetir muitas vezes, sobretudo quando fizerem algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.

Sabemos como os Pastorinhos repetiam constantemente esta oração e como viviam o ideal da reparação.

A Jacinta, a quem não era permitido receber Jesus, repetia tristemente:
“— Tenho tanta pena de não poder comungar em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria!”

Cumpria, ao menos, quanto estava na sua mão e, primeiro que tudo, oferecia sacrifícios. Sempre que os fazia, repetia o oferecimento ensinado por Nossa Senhora. Na doença segredava à prima:

Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para reparar o Imaculado Coração de Maria.”

Em Lisboa, pouco antes de morrer, exclamaria:
“— Coitadinha de Nossa Senhora! Ai, eu tenho tanta pena de Nossa Senhora! Tenho muita pena!”

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