Recomendações de portão

Como se a vizinhança tivesse combinado, todas as manhãs, estavam as mães levando seus pequenos até o portão, quando estes se punham a caminho da escola, sem comentar as suas últimas recomendações, que se repetiam diariamente. Vestidos com o uniforme do colégio, seus pequenos levavam nas costas a mochilinha com os materiais escolares, que dividia o mesmo espaço com a provisão que saciaria a fome, durante a grande jornada.

Mesmo sabendo do curto período que estariam longe da sua presença física, naqueles cuidados estava o zelo daquela que não se deixava vencer pelo cansaço ou pelas seduções dos fúteis caprichos. A chuva, o frio, a gripe ou uma dor de cabeça não eram impedimentos para prendê-la na cama ou impedi-la de preparar o simples café com pão e margarina ou talvez um cafezinho com farinha de milho…

Somos, hoje, resultado do acúmulo de energia e cuidado catalisado daquela que, agora, parece-nos ter diminuído de estatura. Muito tempo se passou desde que saíamos vestidos com aquele uniforme do colégio…

Apesar de já não termos tamanho para nos aconchegar, como um bebê, entre seus braços, as recomendações ainda continuam e o olhar de superproteção, que nos acompanhava até desaparecermos na próxima esquina, ainda nos fita, mesmo estando por detrás das grossas lentes de acrílico.

Alguns de nós, talvez não tivemos a mesma resistência às seduções dos caprichos fúteis, ou quem sabe nos deixamos levar, como crianças inocentes, por outras veredas. Morando a poucas quadras da casa da mãe, podemos ter nos afastado do calor do seu coração, esquecendo da agradável sensação de recostar a cabeça no seu peito ou deitar no seu colo.

Mesmo que não tenham manifestado com palavras, nossas mães repetiam nas entrelinhas de suas recomendações, ao pé do portão, a mesma frase: “Estarei contigo todos os dias até os finais dos tempos”.

O feliz dia para as mães é aquele em que os seus “filhinhos”, já adultos, quem sabe com filhos também, façam a experiência da mesma coragem, que envolveu o filho pródigo, voltando para o aconchego do abraço da mãe, permitindo-se ser afagado pelas mãos, já não tão macias como antes.

Aproveitemos os serviços dos correios, e-mails, telefones ou quem sabe, simplesmente atravessemos algumas quadras para dizer: Feliz o dia em que Deus me concedeu você como mãe!

Deus abençoe nossas mães!


Dado Moura

Dado Moura trabalha atualmente na  Editora Canção Nova, autor de 4 livros, todos direcionados a boa vivência em nossos relacionamentos. Outros temas do autor estão disponíveis em www.meurelacionamento.net twitter: @dadomoura facebook: www.facebook.com/reflexoes

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