Quem é o maior?

‘E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a si, E disse-lhes: Qualquer que receber este menino em meu nome, recebe-me a mim; e qualquer que me receber a mim, recebe o que me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo é grande. E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco. E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.’ (Lc 9, 46-50)

Estamos surpresos vendo os discípulos de Jesus interrogando quem seria o maior entre eles? De fato, no surgimento da Igreja, em que s. Pedro recebe tantos sinais de preeminência, a rivalidade começa a ameaçar os Apóstolos. O Evangelho nos narra as aspirações dos filhos de Zebedeu, também eles chamados logo no início, e escolhidos com Pedro para serem testemunhas da Transfiguração como já tinham sido da ressurreição da filha de Jairo.

Quantos alimentam pensamentos de grandeza e de glória? Jesus nos mostra que não se pode partilhar da glória sem a cruz. Ao falar de sua crucifixão, e Jesus acaba de anunciá-la, os Apóstolos não O entendiam por força da concepção que alimentavam da vinda do Messias. Jesus se assenta, como no sermão da Montanha, e faz todo um solene apelo. Trata-se não só da situação hierárquica, mas da condição mesma para entrar no Reino de Deus.

‘Se alguém quiser ser o primeiro seja o último e aquele que serve a todos’. Há necessidade de uma conversão, uma mudança no modo de ver. Por isso Jesus, para explicitar, toma uma criança e coloca no meio deles. São Hilário comenta frisando que ‘como as crianças: por crianças, o Senhor significa todos os que crêem pela fé após ter escutado… como as crianças, que seguem seu pai, amam sua mãe, têm por verdadeiro o que lhes diz. O hábito e a vontade de semelhantes disposições nos encaminham para o Reino dos céus. Se nós retornamos à simplicidade das crianças, brilhará ao redor de nós a humildade do Senhor’.

As crianças não querem indicar simplesmente os pequenos de idade, mas trata-se particularmente da mesma atitude espiritual fundamental de humildade e de acolhida da Palavra do Pai. E o Mestre estabelece a correlação entre as crianças e Ele e mesmo o Pai, o que já anuncia a assimilação ao Cristo dos famintos, prisioneiros, estrangeiros, em suma de todos os menores.

A humildade nos une a Cristo e nos engaja no humilde serviço dos pequenos na Igreja. ‘Senhor, vossa graça não conhece limites. Concedei-nos a humildade de coração e a liberdade de amar e servir nossos semelhantes. Que o nosso amor por vós se expresse no desvelo e dedicação ao nosso próximo’.

Dom Fernando Figueiredo – Diocese de Santo Amaro – SP

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