Politica, instrumento de amor social

A política é um maravilhoso instrumento de amor social, mas, ao mesmo tempo, um reino de divisões, conflitos, lutas e grandes tentações. Se, muitas vezes, os políticos são criticados, é porque, no meio da política, há um espaço para a corrupção e para a manipulação. Que político nunca foi criticado, de forma injusta ou não, adequada ou inadequadamente, com agressividade ou com boa educação? Tudo isso deve servir como exame de consciência e revisão de vida, como provocação a uma vida nova em um campo extremamente delicado, mas do qual o cristão não tem o direito de fugir: a política.

Ninguém está isento dos riscos, mas, ao mesmo tempo, não tem direito de deixar a lâmpada se apagar. Se todos precisam de santidade, os políticos precisam em dose dupla (Igino Giordani, deputado italiano do século XX). A fé entra em todos os campos da atividade humana, sem excluir a política.

Então, vamos programar o lobby da Igreja em nossa cidade, fazendo nossa lista de candidatos, impondo aos católicos os eventuais acordos, quase “batizando” partidos e candidatos? Quem sabe teremos mais vantagens, fatias do poder, cargos na administração, lotes para a construção das igrejas! É óbvio que esta não é a estrada da Igreja Católica; antes, interessam-nos os valores. Nos municípios, estados e federação, nosso sonho é encontrar homens e mulheres que sejam coerentes com o que professam; que a fé pessoal e suas convicções os levem a práticas diferentes. Acolham os candidatos e candidatas dos diversos cargos à posição cristalina da Igreja Católica: queremos contribuir para aperfeiçoar e elevar a prática política; queremos, sim, oferecer homens e mulheres que sejam fermento na massa, ao lado de tantas pessoas de boa vontade. Nosso olhar se volta para o Reino de Deus.

“Procurai primeiro o Reino e a Sua justiça e tudo isso vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33). Diante de Jesus, muitas pessoas se confundiam ao ouvir falar do Reino. Até para os apóstolos era difícil entender, porque pensavam em restauração do reino de Israel. Dizem alguns estudos que a traição de Judas estaria ligada a certa decepção, por esperar que Jesus assumisse a posição de chefe político, capaz de resolver todos os problemas. Lembremos dos discípulos de Emaús. Quando Jesus começa a caminhar junto deles, seus olhos estão impedidos e não o reconhecem, comentando sobre a situação dizem: “Quanto a nós, esperávamos que ele fosse o que devia libertar Israel. Mas, com tudo isso, já é o terceiro dia que esses fatos se deram” (Lc 24,21). Os discípulos demonstraram decepção, pois esperavam que Jesus fosse libertar Israel. Ele continuou caminhando com eles, explicando o sentido da sua morte, até que ao partir o pão o reconheceram. A ideia do Reino é misteriosa!

É preciso trabalhar por uma evangelização explícita, para que o Reino de Deus, presente entre nós, se espalhe. Ele não acontecerá só quando todas as estruturas do mundo estiverem “bonitas” e “arrumadas”. O Reino de Deus já está no meio de nós. É preciso abrir os olhos para essa realidade.

Os valores cristãos estarão presentes no dia a dia, nas conversas, quando um político compartilhar assento numa comissão legislativa, ou quando um administrador deverá eleger prioridades. Os políticos, se quiserem, têm todas as possibilidades para usarem o cargo que ocupam para o interesse próprio, muito mais que outros grupos da sociedade. Ou podem mudar as práticas correntes! Depende da opção de fé de cada um, o que provoca um rumo diferente para tudo. É um desafio à liberdade.

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