Pai, você é fera

Ampliar a visão e constatar que o convívio entre “pai e filho” é uma linda experiência de “amor limitado”, pois, em alguns momentos experimenta-se o positivo; em outros, o negativo. Assim vamos nos relacionando limitadamente aqui na terra. O importante é ter bem claro que estamos em ritmo de treinamento para um dia nos encontrarmos com Deus, que é o nosso Pai Perfeito que está no céu.

Em maio deste ano completou onze anos que o meu pai, Mário Cintra Coelho, foi para a eternidade com Deus. Tenho refletido nos valores que este “grande homem” deixou depositado no meu coração. Nesse breve relato quero apresentar para você a herança que ele deixou para mim, herança que não foi bens materiais. Mesmo levando uma vida inteira no vício da bebida, ele deixou valores que não dá para contabilizar.

Quando olho para a minha aliança de casado, que está no meu dedo, lembro-me da fidelidade do meu pai para com a minha mãe, o respeito que ele tinha por ela.

Quando olho para a corrupção que aumenta a cada dia também me lembro do referencial de honestidade que foi o meu pai. Quando me encontro com as minhas irmãs, com meus sobrinhos e sobrinhas lembro-me do carinho que ele tinha para com os filhos, netos e bisnetos. Pai, você é fera! Obrigado por essa lição de vida que o senhor gravou no meu coração.

Desde que nasci nunca vi o meu pai trabalhar, minha mãe é quem sustentava a casa. O que escutei da minha mãe é que o meu avô quando morreu deixou uma fazenda de herança e dessa fazenda que foi dividida entre os irmãos ficou uma fazenda para cada filho, um desses filhos era o meu pai. Essa herança [“fazenda”] o meu pai perdeu por causa do vício da bebida, fazia negócios bêbado, rodas de amigo e assim por diante.

Quantas vezes vi o meu pai chegando bêbado em casa, eu tinha vergonha dele, com isso tinha vergonha de levar amigos em casa, quando a galera do futebol rolava o papo “qual é a profissão do seu pai?”, eu quase que me escondia, pois o pai de um era advogado o do outro dentista, o que eu iria responder da profissão do meu pai.

É um pouquinho da minha vida com o meu pai, por causa da bebida não fomos presença um para o outro, mas com a chegada do câncer, que em oito meses o levou, neste tempo estive bem presente na vida dele. Tenho refletido que ele tinha uma linda admiração por mim “o filho bom de bola”. É assim que as pessoas falavam para ele: “Seu Mário, seu filho é bom de bola”, eu era um garotinho que onde havia uma bola lá estava eu.

A reflexão que faço é: a filiação e a paternidade humana é um “limitado amor”, a filiação e paternidade divina é o “perfeito amor”. Não temos a dimensão como será a nossa alegria quando nos encontrarmos com Deus na eternidade, será o encontro de filho e Pai. Lá no céu todos nós seremos filhos do mesmo Pai. O seu bizavô, o seu avô, o seu pai, todos nós seremos filhos. Será o encontro com a alegria suprema, nos encontraremos com a nossa filiação divina, será o encontro das duas filiações: humana e divina.

Enquanto estamos aqui na terra temos um lindo desafio: superar os limites que é o limitado amor de filho para pai e de pai para filho.

Fale para o seu pai que ele é fera!

Tem Jeito!

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