Ousar por trabalho e dignidade

O 1.º de maio deste ano acontece num momento histórico, em que a classe dominante, em sua corrida ambiciosa pelo lucro, lança uma grande ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras retirando conquistas contidas na CLT.

A classe dominante inseriu o nosso país na dinâmica da globalização, repetindo os velhos modelos de desenvolvimento sem justiça social. Aguçou o caráter destruidor do sistema capitalista. Alastrou a epidemia de desemprego e exclusão. Arrancou conquistas trabalhistas. Sacrificou vidas humanas e o meio ambiente. Gerou a realidade de morte e violência. Uma realidade que fere a dignidade humana e que representa um insulto ao plano de Deus.

Um país que vende a sua soberania e condena o seu povo à condição de miseráveis, jamais poderá se constituir numa nação verdadeira. O cinismo da elite brasileira e o sofrimento do nosso povo representam um grave problema ético.

Toda essa situação provoca profunda indignação nas pessoas que se negam a entregar sua alma ao comodismo e ao consumismo. Homens e mulheres que lutam de forma incondicional para fazer valer o verdadeiro sentido da vida. Mantendo assim vivo o sonho de criarmos uma humanidade livre e fraterna.

É preciso acreditar na capacidade transformadora do nosso povo. Saber que mesmo estando na condição de vítima desse sistema egoísta, os trabalhadores(as) e excluídos(as) possuem a missão histórica de construir o novo e determinar os rumos da sociedade.

Mais que nunca precisamos estar inseridos nas grandes decisões da sociedade. Nesse sentido, o Plebiscito contra a ALCA e as eleições que se aproximam exigem uma atenção especial por parte de todos aqueles que querem mudar esse país. Precisamos multiplicar nossos esforços e mostrar que o povo consciente e organizado é força viva, capaz de determinar a elaboração e implementação de um projeto político que proporcione melhores condições de vida para os brasileiros e brasileiras.

Precisamos também reunir o conjunto da nossa Igreja e atuar numa verdadeira relação entre mensagem evangélica e prática profética. Acreditamos que, diante de tantos desafios, nós cristãos não podemos nos dar ao luxo de permanecer numa postura fechada. Temos que nos inserir de forma decisiva na realidade do nosso povo. Devemos ter sempre presente o amor e a simplicidade de Jesus de Nazaré, que é, sem dúvida, a forma mais autêntica de evangelização. Como cristãos e discípulos de Jesus, temos a tarefa de modificar esta sociedade injusta e egoísta, vivendo uma espiritualidade profunda que coloque a vida no centro das nossas ações.

O 1.º de maio é uma data que simboliza a luta dos que teimam em construir sonhos de vida em comum. Celebrar o 1.º de maio neste momento, significa rompermos com qualquer forma de individualismo e de indiferença. Significa também semear e cultivar a cultura da solidariedade.

Precisamos revitalizar os nossos corações de esperança, animar os desanimados para mantermos sempre viva a resistência desse povo guerreiro que não se cansa de lutar pra viver e ser feliz. Temos sempre que acreditar que um outro mundo é possível, onde a justiça social seja sempre uma bandeira desfraldada no sabor do vento.

Pastoral Operária do Brasil
Fonte: CNBB

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