Obedientes como José

“Não me recordo de ter suplicado graça que tenha deixado de obter. Pois, admiráveis são os grandes favores que Deus me têm feito por intermédio desse bem-aventurado santo e os perigos de que me têm livrado, tanto do corpo quanto da alma. A outros santos, parece o Senhor ter dado para socorrer em determinada necessidade. Ao glorioso São José, tenho experiência de que socorre em todas.” (Santa Teresa de Ávila)

Por que tudo sempre deu certo, mesmo em meio à tanta dor?

Como pode haver tanta paz e generosidade, quando não é possível compreender tudo?

O fato é que José conhecia o seu Deus e, portanto, mesmo quando nada sentia, sabia que Sua presença era indiscutível!

Como caminhar com intensa confiança, se o Pai o fez cego e sem respostas? A verdade é que José viveu sempre cercado da mais pura intuição, a qual sempre lhe mostrou a verdade sobre os desígnios de Deus, que o consumiam.

Como pode nos ensinar tanto, um homem que não se preocupou em nos dizer quase nada? É porque José sabia que a única palavra que não passa é a própria vida!

Como não desejar que as circunstâncias mudem? E, da forma como a vida é, ser decididamente tão obediente, a ponto de jamais se importar se essa for adversa à nossa vontade?

José compreendia que lhe seria um grande aprendizado tomar uma nova atitude, valendo-se das circunstâncias para, por meio delas, manifestar seu amor e sua obediência a Deus, sobre todas as coisas. Como ser um mestre na carpintaria, tendo a seu lado, como aprendiz, o Rei do Universo lhe chamando de pai? José jamais teve medo de ser quem era, pois o mais importante para ele era ser fiel, mesmo que isso lhe custasse secretos e profundos constrangimentos.

E, como permanecer inabalável ao ouvir Simeão profetizar os sofrimentos – de sua amada Esposa e de seu Santíssimo Filho – na angústia de perceber-se completamente incapaz de amenizá-los? Sem dúvida, José compreendia que a vida iria acarretar-lhe inúmeros sofrimentos.

Como ser, ao mesmo tempo, esposo daquela que era, primeiramente, Esposa do Espírito Santo, e Pai daquele que o criou e o destinou para chamá-lo de Filho? Sem dúvida, José, como ninguém, por causa do seu grau de perfeição, percebia sua limitação humana e não se angustiava. Como sustentar a saudade na hora em que, cumprida a missão, deveria retornar ao Pai e aguardar a realização da promessa, que os uniria novamente no Céu? A saudade era amenizada pela certeza absoluta de que, num piscar de olhos, aquela Santa Casa, estaria logo reunida novamente, onde ele continuaria em glória, a desempenhar sua missão divina.

Pois nos Céus os méritos de São José alcançaram plenitude e, lá, ele continua a ser o chefe da Sagrada Família.

São José nos ensina que, santidade se aprende no dia-a-dia, na vida de oração, na obediência generosa e, principalmente, no olhar que treina constantemente para enxergar mais alto, mais longe, além daquilo que normalmente se vê. O qual, mesmo não entendendo ao certo os desígnios de Deus, sofre e espera a hora do Senhor em sua vida!

Do livro ‘Rezando com São José’ de Ricardo Sá, da editora Canção Nova.

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