O sentido da evangelização

Cresce em nossos dias a importância do verdadeiro sentido da evangelização. Trata-se de um dever deixado por Jesus Cristo à sua Igreja e a cada fiel seguidor do Senhor Jesus. O Salvador nos dá o exemplo, conforme nos relata o Evangelho de São Marcos: “Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galiléia proclamando o Evangelho de Deus” (Mc 1,14). Cada fiel deve seguir esse exemplo, citado pelo Papa João Paulo II na Encíclica “Redemptoris Missio”: “Os Apóstolos, movidos pelo Espírito Santo, convidaram todos a mudarem de vida, a converterem-se e a receberem o batismo” (nº 47). A Pedro é dada uma ordem: “Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4). E adiante: “Não tenhais medo! Doravante sereis pescadores de homens” (v. 10). Uma clara alusão ao trabalho no futuro, conquistar almas para Deus. E a seguir: “Então, reconduzindo os barcos à terra e deixando tudo, eles o seguiram” (v. 11).

A missão fundamental da Igreja é tornar Cristo conhecido e amado. Assim, nessa ordem, levar Cristo aos homens, torná-lo conhecido e amado e, em decorrência, a justiça social. Em alguns meios se infiltrou o conceito que ser missionário é combater a injustiça social e, em decorrência, a manifestação explícita do Evangelho. Assim, não se deveria anunciar Cristo e sim a justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade.

Ensina-nos o Concílio Vaticano II, no Decreto “Ad Gentes” (nº 13): “Deve-se considerar esta conversão como um ponto de partida. Mas, basta ao homem para perceber que, após afastá-lo do pecado, Deus o introduz no mistério de Seu amor”. O mesmo decreto nos adverte: “A Igreja proíbe severamente que alguém seja coagido a abraçar a fé e que seja induzido por meios importunos”.
Em nossos tempos ocorre um erro quando se coloca a busca da justiça acima da missão, como o primeiro passo para levar aos homens a mensagem evangélica. A caridade é conseqüência e o anúncio é Cristo, que precede a ação social.

Na Encíclica “Redemptoris Missio”, de 7 de dezembro de 1990, o Santo Padre João Paulo II assim ensinava: “O Reino de Deus não é um conceito, uma doutrina, um programa sujeito à livre elaboração, mas é, acima de tudo, uma Pessoa que tem o nome e o rosto de Jesus de Nazaré, imagem de Deus. Se separarmos de Jesus, o Reino, ficaremos sem o Reino de Deus por Ele apregoado, acabando por se distorcer, quer o sentido do Reino, que corre o risco de se transformar numa meta puramente humana ou ideológica, quer a identidade de Cristo, que deixa de aparecer como o Senhor, a Quem tudo se deve submeter” (nº 18).

Em nossos dias, o anúncio missionário da Igreja é “posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso não apenas de fato, mas também “de jure” (“de princípio”)” (“Dominus Iesus”, da Congregação para a Doutrina da Fé, nº 4). No Discurso à Cúria Romana, em 26 de dezembro de 2005, o Papa Bento XVI assim se expressou: “uma conseqüência intrínseca da verdade, que não pode ser imposta do exterior, mas deve ser assumida pelo próprio homem e somente mediante o processo do convencimento”.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, em “Lumen Gentium” abre imensas prerrogativas para o trabalho evangelizador dos leigos: “Todos devem cooperar na dilatação e incremento do reino de Deus no mundo. Por essa razão, os leigos diligentemente procurem um conhecimento mais profundo da verdade revelada e, insistentemente, peçam a Deus o dom da sabedoria” (nº 35).

Já o Papa Paulo VI, em “Evangelii Nuntiandi”, afirmava: “Nunca haverá evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados” (nº 32).

O ecumenismo está profundamente relacionado com a evangelização. Na oração de Jesus, antes de sua morte: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (…) que sejam um, como nós somos um” (Jo 17,21-22). O espírito ecumênico segundo o Decreto “Unitatis Redintegratio”, do Concílio Vaticano II, “contribuirá para promover a equidade e a verdade, a concórdia e a colaboração, o espírito fraterno e a união” (nº 4).

Assim deve ser evitada qualquer indevida pressão na difusão da fé religiosa e na introdução de novas práticas. Deve-se sempre evitar todo modo de agir que tenha aparência de coação, presunção desonesta ou simplesmente menos leal, sobretudo quando se tratar de gente rude ou sem recursos.

As atividades em prol da justiça social são uma conseqüência do anúncio da fé cristã. Desta decorre o trabalho da promoção humana. Na evangelização, a verdade integral da Igreja não é uma imposição, mas o anúncio da verdade, entregue à ação do Espírito Santo, que age na inteligência e no coração dos que são evangelizados.

O documento conciliar “Ad Gentes”, sobre a atividade missionária da Igreja, diz: “Onde quer que Deus abra uma porta à Palavra para proclamar o mistério de Cristo, com confiança e sem cessar anuncie-se a todos os homens. O Deus vivo é aquele que enviou para a salvação de todos, Jesus Cristo. Assim os não-cristãos, a quem o Espírito Santo abre o coração, livremente hão de converter-se ao Senhor pela fé e sinceramente aderir Àquele que é o caminho, a verdade e a vida, que satisfaz a todas as expectativas espirituais e mesmo as supera” (nº 13).

A Igreja, que há mais de dois milênios, se faz presente em todo o mundo com ensinamentos que têm a assistência do Espírito Santo, de modo particular, no tocante à natureza da atividade missionária. Esta não é fruto de elaboração dos homens, mas vem de Deus.

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