O "objeto" do amor

O amor é o tema mais presente nas diversas culturas da humanidade, quase a sugerir que o sentido da vida humana se decide na experiência de amor e na forma de amar. O nosso tempo não faz excepção e o amor ocupa o centro da busca humana: é cantado na poesia, analisado na literatura, celebrado na dedicação generosa ao próximo. Ele é festa e drama, luz e interrogação, paixão e ternura serena, desejo e posse, contemplação e estímulo para a ação; busca de intimidade e comunhão ou simples procura da própria felicidade, tornando-se, tantas vezes, o rosto disfarçado do egoísmo. No amor sobressaem duas realidades: a pessoa que ama e a realidade amada, a que poderíamos chamar o “objeto” do amor.

O sujeito do amor é sempre a pessoa humana, no seu todo, com o espírito e com o corpo, com a inteligência e com o coração; o “objeto amado” podem ser realidades materiais: pode-se amar a natureza, um animal, uma obra de arte. Mas é quando a realidade amada é outra pessoa, que o amor atinge a grandeza digna do homem, pois aí os sujeitos do amor podem ser, ao mesmo tempo, amantes e amados. O amor proporciona, então, o encontro profundo entre pessoas, a construção de uma intimidade, a alegria libertadora da comunhão. Mas, quando alguém reduz outra pessoa a simples “objeto amado”, dá-se a degradação do próprio amor, porque a pessoa do outro é desejada ou possuída como objeto que gera algo de útil e agradável para o próprio: bem estar, prazer, utilidade pelo que faz ou significa.

Assim o ser humano fala de amor nas diversas situações do seu conviver com os outros: amam-se os amigos, os pais e os filhos, amam-se um homem ou uma mulher, ama-se a Deus e cada uma destas experiências de amor têm as suas características próprias e expressões específicas. É próprio do ser humano não esgotar a sua capacidade de amar apenas numa destas experiências de amor; ao contrário, cada experiência de amor vivida com generosidade abre para todas as outras. As mais envolventes de todo o ser tornam a pessoa capaz de amar em todas as circunstâncias. O amor de Deus, quando vivido com verdade e radicalidade, influencia todas as experiências de amor.

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