O divino perdão

Um jovem amigo, quando se fala de perdão, costuma dizer: “Perdoar é divino. Eu ainda não alcancei esta perfeição divina. Comigo é a lei de talião: olho por olho, dente por dente”. Outro amigo me diz: “Se é para perdoar, deve ter paciência”. Significa que perdoar é difícil. No entanto, Cristo disse: “Se perdoardes aos homens os seus delitos, também vosso Pai celeste vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos” (Mt 6, 14).

O Mestre de Nazaré, que resumiu a lei e os profetas ao amor a Deus e ao próximo, exige até o amor aos inimigos: “Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5, 43-44).

O Papa João Paulo II, na sua mensagem para o ano novo de 2002 ensina que “uma verdadeira paz torna-se possível somente com o perdão”. E acrescenta: “A capacidade de perdão está na base de cada projeto de uma sociedade futura mais justa e solidária”.

A história tem inúmeros exemplos. É o caso da Silésia (Schlesien), na Europa Central. Em cada guerra mudava de dono. Na 2ª guerra mundial, os russos expulsaram os alemães e assentaram aí poloneses. O governo alemão, com o apoio dos líderes cristãos, perdoou o passado e deixou a Silésia nas mãos da Polônia, não obstante a resistência de muitos. Assim foi viabilizada a Europa Unida, com a moeda única, o Euro.

O perdão também liberta o interior da pessoa. Pois o ódio, a inveja, a vingança e a discórdia deixam o coração dilacerado, tristonho e impedem o vôo para ideais generosos. Ao passo que o perdão deixa a pessoa livre, alegre e repleta de paz. E capaz de amar.

Alguém disse com elegância que muitos cristãos imaginam cumprida a sua vocação quando evitam o pecado e observam as virtudes morais. É como o sujeito que aprendeu os rudimentos da gramática e se sente poeta!

Somos capazes de perdoar pelo poder de Deus. O Espírito Santo é derramado em nós e nele somos amados como Deus ama. Nele e por ele somos capazes de amar a Deus com o mesmo amor com que Ele nos ama. O que implica a misericórdia e o perdão.
É por isso que Jesus nos ensinou a orar: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos tem ofendido”.

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