O coração!!!

“No Coração da igreja, minha Mãe, serei o Amor”. (Teresa De Lisieux)

O que é o coração? É o lugar da confiança, uma confiança que pode ser chamada de fé, esperança ou amor, dependendo de como estiver se manifestando. O coração que confia como a característica mais importante da pessoa humana. Não é tanto a capacidade de pensar, de refletir, de planejar ou de produzir que nos torna deferentes do resto da criação, mas a capacidade de confiar. É o coração que nos torna verdadeiramente humanos.

Esta observação vital ajuda a explicar por que respondemos com nossos corações aos que nos circundam muito antes que nossas consciências tenham se desenvolvido. Nossas consciências, que nos permitem distinguir entre o bem e o mal, e assim nos fornecem uma base para escolha moral, exercem menos controle do que nossos corações. Muito da crise na vida da Igreja de hoje se relaciona com uma falta de conhecimento do coração. Grande parte da discussão da Igreja atual focaliza a moral do comportamento humano: sexo pré-matrimonial, divórcio, homossexualismo, controle de natalidade, aborto, e assim por diante. Muitas pessoas se desiludiram com a Igreja por causa destes temas. Mas, quando a vida moral recebe toda a atenção, corremos o perigo de esquecer a primazia da vida mística, que é a vida do coração.

Com freqüência sugere-se que a vida mística, uma vida na qual entramos em íntima comunhão com Deus, é o melhor fruto e a mais preciosa recompensa da vida moral. As diferenças clássicas entre o caminho purificador, o iluminador e o unificador como os três níveis sucessivamente mais altos da vida espiritual têm fortalecido essa sugestão. Assim, passamos a ver a vida mística como a vida de uns poucos, felizes, que alcançam a oração de entrega total.

A visão mais completa – uma visão na qual a vida mística situa-se no começo de nossa existência e não unicamente no seu fim. Nascemos em íntima comunhão com o Deus que nos criou no amor. Pertencemos a Deus a partir de nossa concepção. Nosso coração é aquela dádiva divina que nos permite confiar não somente em Deus, mas também em nossa mãe, em nosso pai, em nossa família, em nós mesmos e no mundo. Crianças muito pequenas têm uma noção intuitiva e profunda de Deus, um conhecimento do coração, que infelizmente muitas vezes é obscurecido e até sufocado pelos muitos modos de pensar que gradativamente cultivamos. As pessoas podem deixar seus corações se pronunciar à vontade, e assim revelar uma vida mística que para muitos que são inteligentes é inatingível.

Falando sobre o coração como a fonte mais profunda da vida espiritual, a vida de fé, esperança, e amor, as afeições humanas não nos levam onde os nossos corações querem nos levar. O coração é muito maior e mais profundo que nossas afeições. Está antes e acima das distinções entre tristeza e alegria, raiva e luxúria, medo e amor. É o lugar onde tudo é um em Deus, o lugar ao qual realmente pertencemos, o lugar de onde viemos e ao qual ansiamos retomar.

Agora, compreendo que meu ‘simples’ questionamento sobre minhas afeições exigiam uma resposta mais ampla do que eu tinha esperado. É preciso que eu redescubra o lugar central da experiência mística na vida humana.

Celebrar o coração de Jesus e de Maria é não se deixar levar pelas afeições, e sim, se deixar sondar pela fé, esperança e amor de um mundo ressuscitado dentro do nosso coração.

Seu Irmão
Eduardo Rocha Quintella
Fraternidade S. J. da Cruz O.C.D.S. -BH

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