Nós acreditamos no amor?

O Domingo da Páscoa passou, mas o Tempo Pascal continua. A dinâmica de nossas vidas está em permanente movimento, em contínua transformação. Passamos por momentos agradáveis, alegres e entusiasmantes e de repente estamos vivendo momentos de desânimo, preocupação, confusão e tristeza. Enfim, no dinamismo de quem vive e luta, é necessário estarmos sempre abertos e dispostos a abraçar com amor tudo o que se nos apresenta.

Toca-me profundamente o testemunho de um grupo de moças italianas, que durante a Segunda Guerra se refugiaram em abrigos anti-bombas nas montanhas, sem que pudessem levar seus pertences pessoais. Mas entre as poucas coisas que conseguiram levar para a dura temporada no abrigo, estava o Evangelho. E lendo-o descobriam inesperadamente o valor de cada uma daquelas palavras. Cada palavra era uma surpresa, uma descoberta nova. Uma das primeiras palavras que lhes pareceu completamente nova foi: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Mt 22, 39). E assim começaram entre elas a viver o amor, fazendo um pacto de estar prontas a morrer uma pela outra e de amar a todos naquela situação de morte e destruição.

Nesta situação difícil, mesmo sabendo que poderiam morrer a qualquer momento, nasceu entre elas um relacionamento novo, uma disposição nova, pois a dor, o sofrimento, a morte e a destruição da guerra eram transformadas pelo amor. Num belo dia quando no refúgio liam e meditavam o Evangelho, uma delas disse: quando morrermos em nossos túmulos será escrito: “Nós acreditamos no amor”.

Considero que a missão mais difícil nos tempos atuais é convencer as pessoas de que o caminho para alcançar um mundo melhor, para mudar as coisas, para fazer acontecer a Páscoa, é o amor. Convencer as pessoas, mudar suas convicções, é tarefa árdua, difícil e urgente. Alguém convencido é alguém capaz de fazer qualquer coisa para o bem ou para o mal. Os fanáticos são pessoas convencidas de que aquela proposta é o único caminho e que não existe outra solução.

O mundo não seria diferente se os cristãos estivessem convencidos de que o Mandamento Novo de Jesus é a solução para um mundo melhor? Infelizmente, o Evangelho ainda é um solene desconhecido. Talvez esteja dentro das cabeças, mas está longe do coração das pessoas. Por isso, temos um longo caminho a percorrer.

Evangelizar é colocar o Evangelho no coração das pessoas. É urgente multiplicar as pequenas iniciativas onde a técnica, as metodologias, os recursos pedagógicos e as terapias sejam permeados por uma dose de amor, do amor capaz ir às últimas consequências. Fazemos muita coisa, mas não temos tempo para o amor. Tudo é importante menos o fundamental! Por isso aumenta o número dos estressados, dos hipertensos, dos depressivos…

Está na hora de fazermos uma profissão de fé no único e primeiro mandamento: o amor. Está na hora de por fim ao amor assistencialista, protocolar, o amor para cumprir tabela, para manter as aparências. Estou convencido de que mais do que nunca é necessário transformar a mentalidade do descartável, do transitório, do fazer por gostar, para o fazer pela capacidade de amar. Ser capaz de doar-se por amor, mesmo quando nisso não sentimos gosto. Amar: eis a característica do cristão do novo milênio! Amar, amar sempre! Amar a todos! Somente assim poderemos provar que um mundo melhor é possível. E em nossos túmulos estará escrito: “Nós acreditamos no amor”.

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