Na Alemanha

Durante estes dias em que estive na Feira do Livro de Frankfurt, vivi muitas experiências culturais, comerciais, literárias, musicais e religiosas, pelas quais agradeço a Deus de todo coração. Conheci a Alemanha, país marcado pelas feridas da destruição física e moral de duas grandes guerras mundiais, e que impressiona pela sua capacidade de restauração e de reerguimento, refletida pela grandeza de seus monumentos, pela beleza das igrejas e pela arquitetura de suas casas. Apesar do pouco tempo em que estive na Alemanha, quero dizer que pude confirmar muitas coisas daquilo que li nos livros de história e geografia. Mas o que quero partilhar é minha pequena experiência como missionário.


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Em Frankfurt, participamos, eu e os que foram comigo, da missa diária, às 6h da tarde em uma Igreja dedicada a Nossa Senhora, Liebfrauen Kirche. Lá, tivemos a graça adorar o Senhor porque o Santíssimo Sacramento é exposto todos os dias logo após a missa, para oração das vésperas e benção solene. Muito me impressionou o fato de que todos os dias da semana a Igreja estava cheia, fato incomum nas principais igrejas européias, que padecem com a secularização que assola o mundo. Agradeci a Deus por ver gente de todas as idades naquela paróquia.

As missas são bem tradicionais e bem participativas: maravilhosos órgãos de tubos, cantos centenários cantados por todos, já que um livro de partituras é distribuído no início da missa. E muitos ficavam todos os dias para a adoração ao Santíssimo. Como é maravilhoso perceber concretamente o Deus único, o mesmo ontem, hoje e sempre, agindo na vida das pessoas independente de cultura, raça ou nação. Eu olhava para aquelas pessoas, um povo de pele bem clara, cabelo loiro, de comportamento mais reservado, que come muita batata e toma muita cerveja, cujos costumes e estilos de vida diferem dos nossos em quase todos os aspectos, eu olhava para eles e via que diante de Deus, nós realmente éramos iguais. As graças derramadas sobre nós eram as mesmas, o respeito e o êxtase diante da Presença Sublime de Jesus eram os mesmos, as súplicas, as ações de graças… Tudo era igual, porque foi o mesmo Deus que nos atraiu. A forma de viver a liturgia diferia um pouco, mas o Deus da liturgia era o mesmo e sua graça está acima de todas as barreiras de línguas e culturas.

Infelizmente tive que compreender que esta foi uma experiência de uma paróquia que tem uma realidade particular. Por causa do excelente trabalho que os franciscanos capuchinhos fazem na paróquia Liebfrauen, existe um número de fiéis fora dos padrões para as igrejas alemãs. Lá acontecem retiros, grupos de oração e de formação religiosa para crianças, jovens e adultos. Pelo que conversei com as pessoas, as outras 13 igrejas católicas de Frankfurt não têm essa realidade.

Em um dos dias, exatamente num domingo, dia do Senhor, tivemos que ir à missa em uma outra paróquia, Deutschordenskirche St. Maria, que tinha 17 pessoas contando conosco. O Padre, além de presidir, cantou, fez a leitura e o salmo. Apesar do lindo órgão de tubos que completava a mistura do gótico do século XIV com o barroco do século XVIII, não se ouviu nenhum instrumento durante toda a missa. Contrastavam com este belíssimo cenário a pouca quantidade de fiéis e as modernas placas de acrílico de quase 2 metros de altura que exibiam o título “So geht katholisch” – assim faz o católico – mostrando com desenhos como proceder durante as celebrações eucarísticas. Nesta igreja eu pude rezar pedindo a Deus a graça de enviar mais missionários para a sua messe. Ali eu entendi o quanto o mundo precisa de mais missionários, e o quanto precisamos fazer bem a nossa parte.

Alguns dias antes, na Feira de Frankfurt, uma jovem brasileira encontrou nosso stand e partilhou conosco a dificuldade da falta de valores cristãos e da prática católica. Rita Milani, 22 anos, está passando um ano na Alemanha para estudos universitários, e nos contou como tem sido difícil para ela viver praticamente sozinha os princípios católicos naquele país. “A jovem aqui não quer se comprometer com a Igreja e muitos se dizem ateus e não precisar Deus. Mesmo os jovens brasileiros que moram aqui não querem viver uma vida de busca de santidade”, diz Rita. “O Portal Canção Nova tem sido para mim uma maneira de manter contato com as coisas de Deus e ouvir sua Palavra” .

Rezemos para que Deus nos faça cada vez mais comprometidos com a proclamação do Evangelho e que Ele mande mais operários para trabalhar na sua vinha. Que você e eu não percamos nunca a chance de evangelizar os mais próximos, e assim atingir as nações. Essas foram apenas algumas experiências que tive. Poderia contar outras, mas por hoje está bom. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura!” Este deixou de ser um convite de Jesus. Passou a ser um apelo.

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