Madre Paulina na glória dos altares

O dia 19 de maio ficará marcado para sempre na memória de todos os brasileiros; no mesmo dia em que comemoramos a descida do Espírito Santo sobre os discípulos com Maria, a Mãe de Jesus, nos alegramos com a canonização de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Neste Domingo de Pentecostes, o Papa João Paulo II eleva à glória dos altares a nossa querida Madre Paulina, Amábile Visintainer.

Ela é a primeira santa brasileira. Embora não fosse nascida aqui, mas na longínqua Vigolo Vattaro, em Trento. Desde os 9 anos viveu só no Brasil, para o Brasil. É aqui que se tornou santa. Foi aqui que ela fundou uma Congregação de pessoas, abertas à graça de Deus e à vocação universal à santidade; aqui ela desenvolveu sua obra de amparo e assistência a tantos necessitados. É uma santa nossa, para nós e para toda a Igreja.

Sua vida, geralmente bem conhecida, é como um vitral; um mosaico de virtudes e de exemplos edificantes: obediência, pobreza, castidade e oração intensa, aliada ao trabalho e sacrifício, ao sofrimento.
Madre Paulina compreendeu a urgência de seu tempo e se tornou pioneira, ao fundar a primeira Congregação de Religiosas no Brasil.

Ela desejou ardentemente ser Santa. Fez desse ideal um projeto de vida e, mesmo diante de grandes adversidades, jamais se deixou abater. Sofreu silenciosamente por aquilo que não podia mudar e, sempre obediente, não permitiu que esses momentos difíceis a transformassem em vítima, nem tirassem sua alegria. Sempre foi forte em seu ideal. Sabia, bem antes do Concílio Vaticano II, que a regra suprema para todos os Institutos era o seguimento de Cristo, conforme está proposto no Evangelho. A grande razão da santidade de Madre Paulina era o próprio Cristo. Seu fervor pelo seu seguimento, abrangeu toda a sua vida, enriquecendo, assim, a vida da Igreja, ao fundar a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. O apostolado missionário dessas religiosas fez com que a Igreja se tornasse ainda mais bela, pois o “Evangelho era pregado por toda parte e a todas as criaturas”: crianças, jovens, adultos, idosos e doentes, abandonados…

Necessariamente, o exercício das virtudes era promovido quanto mais a Congregação crescia. Não apenas em Madre Paulina, mas em todas as suas companheiras. Experimentando em si o aniquilamento de Cristo pela obediência, humildade, pobreza e castidade, ela viveu momentos de grande realização interior. Trazia em si as marcas da Paixão de Cristo. Não eram estigmas visíveis mas invisíveis e dolorosas: as estigmas da dor do Senhor amado.

A Congregação passou por muitas provações e em todas elas Madre Paulina esteve serena e intimamente unida a Cristo, mesmo quando foi decidida a sua destituição do cargo de Superiora Geral. Esse era apenas um detalhe.

Se esse fato constituiu motivo para a sua santificação, contou mais para isso, a sua pronta obediência e não seu humano sofrimento durante um ato de humilhação.
Jesus sempre foi para ela como o único necessário. Hauriu das Sagradas Escrituras, que lia e meditava todos os dias, os ensinamentos do Mestre. Ali ouvia suas palavras e procurava sempre agradar-lhe (1 Cor 7,32). Dialogando com o Senhor nas Escrituras e alimentando-se d´Ele na Eucaristia, uniu a contemplação ao amor apostólico, colaborando para dilatar o Reino de Deus aqui na terra.

A vida de Madre Paulina ainda está por ser escrita. A modesta literatura que possuímos não reflete, como deveria, a grandeza de seu caráter e a profundidade de sua santidade: “O essencial é invisível”.

Em todas as situações de sua vida, ela promoveu a vida oculta com Cristo, em Deus, seguindo o conselho de São Paulo aos Colossenses:…”Vossa vida está escondida com Cristo, em Deus” (3,3). E a conclusão do mesmo versículo se torna certeza e realidade para a vida de Madre Paulina: “Então vós, também, sereis manifestados em glória”.

Neste dia 19 de maio, eleva-se à glória dos altares nossa querida santinha. Ela se submeteu, por moção do Espírito Santo, em tudo, aos seus superiores. Reconheceu neles a voz de Deus e, por eles, servia ainda mais intensamente aos irmãos e irmãs.

Ser obediente, para ela, era entregar sua inteligência e sua vontade, com os dons da natureza e da graça, à execução dos preceitos e ao cumprimento das tarefas diárias, oferecendo, dessa forma, a colaboração para a edificação do Corpo Místico de Cristo, de forma a cumprir fielmente a vontade de Deus.

O projeto de santidade de Madre Paulina foi muito simples: ela viveu integralmente seu dever de estado. Compreendeu que, sendo perfeitamente ela mesma, em todas as situações, estaria agradando a Deus e colaborando com a Igreja. Sentiu-se movida, muito cedo, à doação aos outros e encontrou nessa forma de vida o carisma para sua futura dedicação exclusiva dentro de uma Congregação Religiosa: “Toda de Deus, toda dos homens”.

Madre Paulina não poderia ser canonizada em uma data melhor. Mulher simples que não decepcionou o Espírito Santo e acolheu seus dons, traduzindo-os em vida para todos os seus irmãos e irmãs.

Quando o Santo Padre declarar, que insere Madre Paulina no Livro dos Santos de nossa Santa Igreja, da fachada central da basílica de São Pedro, em Roma, um grande painel com a sua imagem será lentamente desdobrado diante da multidão em festa.

O mundo inteiro acompanhará esse momento. Todos os sinos das Igrejas do Brasil e de sua pequena cidade natal, por certo, deveriam badalar festivamente. Nesse momento, não nos será possível conter a emoção, furtivas lágrimas… Com muito amor iremos dizer, com o coração cheio de alegria: Santa Paulina, rogai por nós! Repetiremos o seu programa de vida: “Amar a Jesus e… nada mais!”.

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