Lula, Ciro, Garotinho, Serra ...

Não sei porque os meus quatro leitores do respeitável jornal “O SÃO PAULO”, que tem uma tradição batalhadora, crítica, e que no tempo da ditadura muitas vezes foi censurado, proibido de circular, recolhido por falar a verdade que os militares não queriam ouvir, enviaram-me algumas mensagens via Internet. Hoje, o correio eletrônico é o meio mais atual do anonimato, pelo qual as pessoas se escondem para dizer o que pensam e o que não pensam sem que se saiba quem são. Pois bem, recebi mensagens perguntando sobre a política, os candidatos.

Na medida em que as eleições se aproximam, todo brasileiro se transforma em cabo eleitoral, dá o seu palpite e quer ser ouvido. Não há dúvida de que as nossas casas, através de uma lei injusta e perversa que os políticos adotaram, nos obrigam a fazê-los entrar na nossa família através da propaganda eleitoral, que não serve para nada. E para fugir a esta ditadura branca, quem tem possibilidade, através de programas alternativos, vê outras coisas mais interessantes. Acredito que seus assessores devem se dignar ler “O SÃO PAULO”, afinal é o jornal maior, da maior diocese de São Paulo e a todos os políticos, quer se declare ateu por conveniência, ou religioso de capa, para ganhar os votos dos pobres e pequenos, a opinião da Igreja ou dos grupos religiosos é mais interessante do que se pensa. Normalmente os políticos, não tendo uma atitude religiosa definida, se tornam adeptos de todas as religiões e seitas no tempo eleitoral. Ter uma religião e saber respeitar as outras é uma das atitudes éticas mais importantes de quem se engaja no serviço ao povo.

Há quem pense que religião e política são como diabo e água benta…um longe do outro, e que não se misturam. Na verdade eu não penso assim. Política e religião devem ser irmãs gêmeas de mãos dadas, inseparáveis e dedicadas a se colocar ao serviço mais generoso e desinteressado do povo simples, e de todas as pessoas que buscam a própria dignidade. A religião que não serve para fazer crescer a pessoa humana não serve para nada, não é religião, é simplesmente um meio de exploração e nada mais. A política que não tem a preocupação de resolver à luz do sol, na honestidade e na competência, as necessidades do povo também não serve. É necessário que política e religião se iluminem reciprocamente e se ajudem para que o povo não seja defraudado nos seus legítimos desejos e necessidades.

Acredito que vocês, que decidiram se candidatar para ser presidentes da República, o fizeram com uma única intenção: dar um basta a tantas coisas erradas e começar um caminho novo, cheio de esperança, alicerçado sobre a verdade e nada mais. Dar um basta, por exemplo, à fome que assola e mata tantas pessoas no nosso Brasil imenso e rico. A Igreja Católica escreveu um documento que é uma obra de arte e que, sem dúvida, deveria ser livro de bolso presente nas suas viagens. É o número 69 da coleção azul; custa barato, mas é poderoso nas sua idéias. Só a partilha poderá vencer a fome e esta campanha foi lançada na festa do corpo e sangue de Cristo deste ano em todo o Brsil.

É o momento de dizer um basta à violência, não construindo ainda mais cadeias de segurança máxima. A violência se vence dando a cada pessoa uma vida digna, trabalho remunerado, escola, cultura e uma situação de vida onde ninguém se veja obrigado a recorrer a caminhos obscuros para poder sobreviver. Dar um basta à vida de desemprego, onde cresce o número dos que ficam o dia todo à toa na esquina dos barzinhos, matando o desemprego na cachaça e na droga por falta de trabalho. Dar um basta a uma situação de saúde pública que a maioria dos doentes morre com a receita do médico no bolso por não terem dinheiro para comprar remédio.

Acredito que vocês, meus amigos e senhores, escolheram o caminho da política como vocação e por amor ao povo, como eu um dia escolhi ser sacerdote por amor ao Evangelho. O dia em que este amor para com o nosso povo não existir mais, não haverá sentido em ser político e nem em ser sacerdote.

Assim, respondi aos meus quatro leitores e aos quatro candidatos que ficaram: Serra, Garotinho, Ciro e Lula.

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