João Paulo II e os Jovens

O Presidente da França, Monsieur Jacques Chirac, por ocasião da XII Jornada Mundial da Juventude, ao receber o Papa no Palácio Presidencial, em agosto de 1997, declarou: “Jamais nossa capital, em toda sua história, recebeu tantos jovens. (…) Estão reunidos para cantar, rezar, dialogar, condividir no entusiasmo e na alegria de sua idade, o ardor e a esperança de sua Fé”. E concluiu, dirigindo-se a João Paulo II: “Vós sois uma guia, uma referência”. Mais de 500.000 jovens aclamaram o Papa nos Champs de Mars. Na oportunidade do Grande Jubileu do ano 2.000 reuniram-se em Tor Vergata, arredores de Roma, mais de 2.000.000 de jovens. E na tarde de 24 de julho último foi aberta oficialmente a XVII Jornada Mundial da Juventude no Parque das Exposições em Toronto, Canadá. Eis três etapas de uma iniciativa vitoriosa.

Na obra de Vittorio Messori, preparada em conjunto com o Papa João Paulo II,intitulada “Cruzando o Limiar da Esperança”, o Romano Pontífice revela a origem do Dia Mundial da Juventude. Por ocasião do ano jubilar da Redenção “os jovens foram convidados a Roma e este foi o começo. Ninguém inventou os dias mundiais da juventude. Foram os próprios jovens que os criaram” (pág. 125). Estas celebrações se tornaram “um meio poderoso de evangelizar” na expressão de João Paulo II. Aliás, a 22 de outubro de 1978, na inauguração do seu pontificado na Praça de São Pedro, ele disse: “Os jovens são a esperança da Igreja e do mundo. Eles são a minha esperança.” A força desse encontro – Igreja e Juventude – não tem deixado de crescer e de se afirmar. Ao lado de uma juventude decrépita, a das drogas, do sexo e da rebeldia por rebeldia, se fortalece a outra, autêntica, que é uma vigorosa esperança, como acabamos de presenciar pela televisão, em Toronto.

O Papa, ao chegar no Canadá no dia 23 de julho, foi recebido pelo Primeiro Ministro canadense, Jean Chrétien. Em seu discurso de agradecimento, João Paulo II declarou: “Vim para comunicar valores essenciais”.

Na quinta-feira, 25 de julho, o Santo Padre acolheu os participantes do evento que teve por tema “As Bem-aventuranças”. Falando aos jovens em uma atmosfera de grande entusiasmo, afirmou: ”A verdadeira alegria é uma conquista que não se obtém a não ser por luta longa e difícil (…) somente caminhando com Cristo se pode alcançar a verdadeira alegria.” João Paulo II, rejuvenescido, teve seu primeiro contato com os peregrinos. O ancião logo conquistou o coração dos jovens com sua mensagem: ”Respondei ao Senhor com o coração forte e generoso. Cristo conta convosco para levar a bom termo o seu plano de salvação”.

Na sexta-feira, na ilha de Strawberry, onde repousava o Papa, 14 jovens dos cinco continentes almoçaram com ele. Quatro mil jornalistas tiveram acesso a esse encontro. À tarde, nas ruas de Toronto, foi celebrada a Via-Sacra. Recordava à juventude de hoje que Jesus, no caminho da Cruz, participava com ela na sua vida cotidiana. A liturgia da noite, desde o início, fez surgir um progressivo clima do sagrado, preparando uma aceitação generosa às diretrizes do Santo Padre em sua homilia. A proposta do Papa foi clara: o mundo novo necessita de outros construtores. Estes são os jovens que optam por Cristo e sua Igreja. E a eles o Papa entrega essa missão.

O alvo a alcançar era o maior aproveitamento da Palavra de Deus e esta tinha por objetivo levar ao máximo a aplicação do lema da Jornada: ”Vós sois o sal da terra… vós sois a luz do mundo”. A alegria da multidão era um terreno propício à sementeira.

No sábado, em Downsview Park teve início a vigília noturna que costuma integrar a programação das jornadas. O local era o antigo aeroporto, que está desativado e que será transformado em um parque urbano. A multidão de jovens era avaliada pelos jornais do Canadá entre 800.000 e 1.200.000 no encerramento e viveu momentos de grande entusiasmo. A homilia da missa do domingo era interrompida por repetidos aplausos que, por vezes, se assemelhavam a um diálogo com o Papa. Ele era incisivo: “Caros jovens, vós sois também chamados a transformar a sociedade. Acordai do sono. O espírito do mundo oferece muitos enganos, falsos profetas buscam extinguir a luz da Fé, excluir a verdade moral”. (Nesta passagem a assistência, de modo particular, explode em aplausos.) Convida a escolher entre duas opções: a Igreja ou o mundo. Este é o desafio da Jornada Mundial. Os jovens vieram aqui para dizer: Senhor, somente Vós tendes palavras de Vida Eterna (A multidão aclamava: “Jesus!”). Há, por toda a parte um desesperado desejo de fraternidade, de testemunhar o verdadeiro amor, de que os jovens sejam o “sal da terra e a luz do mundo”. Eles devem recordar a todos que o Evangelho é necessário. (Nessa passagem o Papa foi interrompido por demorados aplausos.) “Se vocês amam a Cristo, amem também a Igreja. O pecado de sacerdotes – referia-se ao escândalo de pedofilia – nos envergonha.

Devem, contudo, lembrar-se de que a imensa maioria dos padres e religiosos permanece fiel. (Os aplausos, além de prolongados, eram frenéticos). “Não tenhais medo de atender ao chamado de Jesus à vida religiosa e ao sacerdócio, apesar das dificuldades do momento”. Ao concluir a XVII Jornada Mundial da Juventude, dirigiu-se de modo particular a grupos. Referiu-se aos de língua portuguesa, incluindo, portanto, o Brasil: “Não acaba aqui essa Jornada Mundial. Permanece o dever de pôr em prática seu lema: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo”.

Tudo pode ser resumido: uma vitória do Bem, da Igreja, uma glorificação de Jesus Cristo em um ambiente reinante no mundo adverso ao Evangelho. Muito útil uma comparação desta síntese do que eu vi e li com as informações negativas, veiculadas por alguns órgãos da mídia. Conforta-nos a certeza de que a verdade sobre o Papa e a Igreja Católica vencerá. Agradeçamos ao Senhor os benefícios outorgados à Humanidade com esta Visita Pastoral ao Canadá, Guatemala e México.

Cardeal Eugênio de Araújo Sales
Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

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