Jesus de nossa Fé (III)

Jesus de nossa fé, dizia na última coluna, ultrapassa tudo o que nossos sentidos podem perceber. O que admitimos a mais do que se pode perceber em Jesus, o fazemos por duas razões que devem andar juntas.

Uma primeira razão se funda na autoridade de quem nos falou. Jesus mesmo é a maior autoridade para nos dizer coisas verdadeiras. Ele próprio disse: “Eu sou a verdade” (Jo 14,6). E notemos bem, Jesus não era só alguém que dizia a verdade, mas ele era a própria verdade em pessoa. Propriamente, dever-se-ia entender: “a verdade sou eu”!

Com efeito, verdade é aquilo que não admite negação, que é pura afirmação, que não muda, que é sempre, ontem, hoje e sempre, que é firme e estável. Pois bem, o Verbo Eterno é a própria firmeza e estabilidade. É o Filho Eterno do Pai.

Vejam só, o que não tem firmeza, o que é “jogado pelo vento”, o vento da moda, não é livre, está preso pelas circunstâncias passageiras, joguete nas mãos dos outros. O mesmo faz o pecado. O pecado acontece quando nós, em lugar de preenchermos o vazio de nosso coração com a presença de Deus, nos iludimos pensando preencher esse vazio com outras coisas: as riquezas, o sexo, a dominação, a violência, as drogas, etc. Tudo isso nos escraviza, nos tira a liberdade, nos torna joguetes dessas coisas.

Assim é que se deve entender as palavras de Jesus aos fariseus: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres… todo homem que se entrega ao pecado, é seu escravo… Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres…” (Jo 8,30s.).

Jesus, portanto, mostrou, por seus atos e por suas palavras, que era alguém com autoridade para nos dizer a verdade. Ele próprio era a verdade. Os contemporâneos, com efeito, “maravilhavam-se da sua doutrina, porque ele ensinava com autoridade” (Mc 1m22; Lc 4,31).

Essa é uma razão porque admitimos, porque cremos em coisas que não vemos: cremos na divindade de Jesus, na graça do batismo, na realidade da Eucaristia. Cremos nisso que não vemos, porque Ele nos disse e tinha autoridade para no-lo dizer.

Esse caminho da autoridade de Jesus para nos dizer as coisas que não vemos, deve, entretanto, ser complementado por outro caminho. Os escribas e fariseus reconheceram a autoridade de Jesus. De uma feita, disseram-lhe: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade…” (Mt 22,16; Mc 12,14; Lc 20,21). Eles reconheceram a autoridade e, contudo, não creram nele.

Portanto, a autoridade de quem fala, ainda não é suficiente para a fé. É preciso outro componente. O outro componente Jesus o manifestou em várias oportunidades. Sobretudo, isso aconteceu quando Jesus prorrompeu num hino de louvor e ação de graças ao Pai, dizendo: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11,25-26; Lc 10,21).

A fé, crer naquilo que Jesus falou, é revelação do Pai aos pequenos. É revelação do Pai, é dom do Pai. Só quem sabe, só quem conhece, pode ensinar, pode revelar. Quem não sabe não revela nada. E Jesus disse: “… ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo” (Mt 11,27).

A fé é dom do Pai “aos pequenos”. Deus não se manifesta aos que se dão ares de importância. Os que se dão ares de entendidos, não aceitam que os outros os ensinem. Só crêem em si mesmos.

Esses também têm dificuldade de admitir algo mais do que podem ver e apalpar. Só acreditam no que podem ver e apalpar. Não crêem naquilo que ultrapassa os sentidos. Vimos que esses também são chamados de positivistas. Só crêem nos fato positivos que podem ser vistos e mostrados. Daí que não conseguem crer na divindade de Jesus, na graça do batismo, na realidade da Eucaristia. Em todos os três casos, com efeito, vemos uma coisa e cremos noutra, como disse o Papa São Gregório Magno por respeito a São Tomé. Disse ele: “Tomé viu uma coisa e acreditou noutra”.

Por dois caminhos admitimos aquilo que ultrapassa nossos sentidos. Um, é a autoridade de quem nos falou: Jesus! O outro, é o dom do Pai, em vista da disposição de nosso coração: um coração pequeno!

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