Imediatismo

Hoje em dia, estamos acostumados com a velocidade. Tudo é muito rápido: o carro, o elevador, a internet, a transação bancária, a refeição. Mal temos tempo para cultivar a convivência com nossa família, nossos irmãos e amigos.

Aquela providência não pode esperar, aquele e-mail tem que ser enviado em cinco minutos, se até o fim do dia esta tarefa não estiver concluída será uma catástrofe… Queremos que o resultado de nossas ações seja instantâneo. Temos pressa! Não podemos esperar nem um minuto sequer.

Lembro-me de uma entrevista com a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ela falava justamente dessa pressa do mundo moderno. Ela contou que, quando era pequena, morava praticamente no meio da floresta. Seu pai era seringueiro, e toda a família acordava de madrugada, lá pelas quatro da manhã, para começar a providenciar as coisas para aquele dia. Em sua casa não havia geladeira. Era preciso caçar, conseguir lenha para o fogão, colher a mandioca e preparar a farinha, limpar a caça. Eram horas e horas só para cuidar do alimento.

Um dia, já adulta, morando em Brasília, ela colocou um prato de comida para esquentar no microondas e percebeu que estava ansiosa porque ainda faltavam 30 segundos para sua refeição estar pronta! De repente, ela caiu em si e viu o absurdo daquela ansiedade. Aquilo fez com que ela refletisse sobre como o ritmo de vida atual nos torna imediatistas, desesperados para ver tudo resolvido instantaneamente, como num passe de mágica.

Mas será que isso é uma característica apenas do homem de hoje?
Na verdade, os confortos da vida moderna e todo o progresso tecnológico que vemos passar diante de nossos olhos exercem um papel fundamental nessa nossa ansiedade. Mas o imediatismo é um mal que nos persegue desde sempre e uma pedra garantida em nosso caminho em direção à cruz.

Quantos israelitas não morreram frustrados e descrentes por não terem entrado na Terra Prometida? Quantos deles não amaldiçoaram a Deus, dizendo que a promessa que Ele havia feito ao povo nunca iria se concretizar? E quantos cristãos, no início da Igreja de Jesus, também não perderam a fé esperando a volta do Senhor, achando que isso aconteceria logo?

Deus, que criou o céu e a terra, que criou o próprio homem, que foi tão misericordioso, apesar do pecado do mundo, a ponto de dar seu Filho para nos trazer de volta para perto dele, merece nossa ansiedade?

No fundo, ansiedade é falta de fé. Ficamos ansiosos porque não sentimos segurança no que teremos pela frente.
A criança fica ansiosa no Natal porque não tem certeza se o presente dela estará lá na árvore. O aluno fica ansioso antes da prova porque não sabe como irá se sair. Mesmo quando ele acha que foi bem, na hora de receber de volta a prova corrigida, ele ainda sente um frio na barriga: e se respondi tudo errado?

Para a ansiedade, a única resposta que nosso coração humano e inseguro consegue dar é o imediatismo e a pressa.
Se você crê que vai alcançar a vitória e entende que essa vitória não é terrena, humana, mas é a vitória da qual participamos com Cristo, a vitória que já é certa, que já nos foi dada por Ele na cruz, por que ficar ansioso?

Se a fé é a certeza daquilo que esperamos e daquilo que não vemos, então eu repito: ansiedade é falta de fé.
Precisamos entender que o tempo de Deus não é igual ao nosso. Ele é o ferreiro que sabe quando estamos prontos para sair da fornalha e sermos moldados. Devemos fazer nossa parte e entregar, na fé, os objetivos, pois é a Ele que cabem os resultados.

.: Trecho do livro: Se Deus é por nós

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