Feliz 2003!

No início de cada novo ano, surge espontâneo o desejo de felicidade. “Feliz Ano Novo”, é a saudação que se tornou necessária.

Que esperar de 2003?

Para o Brasil, o “feliz ano novo” pareceria estar chegando, carregado de esperanças cultivadas há anos. Quando ainda pareciam remotas, estas esperanças eram incentivadas pelo encorajamento da utopia distante, que exortava a não temer a realidade sonhada e difícil, “sem medo de ser feliz”.

Indiscutivelmente, o Brasil tem agora a possibilidade de iniciar a mudança de rumo da sua história. Mas para tanto, é preciso perceber a gravidade da situação existente, e a complexidade dos problemas a enfrentar, para então dar-nos conta não só das atribuições do novo governo, como também da participação lúcida e responsável da cidadania.

Duas situações servem de advertência próxima: a Argentina e a Venezuela. No contexto do mapa da América do Sul, parecem duas tenazes, a segurar o Brasil pelo sul e pelo norte, como quem agarra uma barra de aço queimando, saída de alto forno.

Nossos vizinhos estão comendo o pão amassado pelo diabo da instabilidade política e da crise econômica. Diante deles, o Brasil tem a responsabilidade de contribuir com a consistência da democracia que convoca para a seriedade e a competência administrativa, e para a coragem de enfrentar a crise econômica, iniciando um processo que inverta a dinâmica das opções equivocadas que mergulharam a América Latina na situação falimentar em que se encontra.

Para corroborar os votos de feliz ano novo, costumamos dar um presente, que simbolize nossos bons desejos. Costuma-se abrir o presente, para saciar logo a expectativa que o gesto suscita. Abre-se o pacote, e constata-se o seu conteúdo.

O governo que sai também deseja felicidade ao que entra. O pacote que deixa é a herança de sua administração, junto com heranças recebidas de tempos anteriores, que ainda deixam suas marcas.

Pois bem, este pacote deve ser aberto diante de toda a população. Pois é uma herança necessária, da qual não podemos fugir. Quanto melhor for conhecida por todos, mais condições teremos de medir o seu alcance, e de perceber os compromissos que nos aguardam, e para os quais o novo governo foi incumbido de liderar o seu enfrentamento, com a clara indicação que recebeu nas urnas.

Acabou o sonho, começa a realidade. A utopia precisa ser confrontada com os dados concretos do
dia-a-dia, para continuar sustentando a decisão de encontrar os caminhos que a realizem progressivamente.

Desejar um feliz ano novo, desta vez, é comprometer-se em fazer acontecer a felicidade, pequena e concreta, com a qual tantos brasileiros vêm sonhando: uma vida digna, honesta, responsável, laboriosa e pacífica, que este país pode proporcionar a todos os seus habitantes. Ela só pode ser fruto de um mutirão que precisa envolver a todos.

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