Espírito de Assis

No dia 24.01.2002, em Assis, uma vez mais, as religiões do mundo encontram-se para rezar pela paz. O convite foi feito por João Paulo II, tal como aconteceu em 1986. O sentido do encontro ficou logo claro, quando o anúncio da intenção de convidar os representantes das religiões do mundo: para rezar pela superação das oposições e pela promoção da paz autêntica; para proclamar… em conjunto, de modo particular cristãos e muçulmanos, diante de todo o mundo e afirmar que a religião nunca se deve tornar motivo de conflito, ódio e violência; como há quinze anos… neste momento histórico… na continuidade do encontro de 1986, no âmbito do “espírito de Assis”… a humanidade precisa ver gestos de paz e ouvir palavras de esperança.

Quando João Paulo II recebeu em audiência o grupo de representantes das religiões não cristãs que participaram no encontro de oração, em 1986, afirmou: “Continuemos a difundir a mensagem da paz. Continuemos a viver o espírito de Assis”. Nestas palavras encontramos o significado da expressão “espírito de Assis”: compromisso na difusão da mensagem da paz. O “espírito de Assis” é o “espírito da paz”. Francisco diria: o “espírito de Assis” significa “ter o Espírito do Senhor e deixar que Ele atue”.

Francisco sabe que a vida espiritual supõe e exige uma virada radical: passar do espírito terrestre ao Espírito do Senhor, mudar de espírito. Mudar de espírito significa renascer, nascer de Deus (Jo 1, 13), em cada dia e em cada momento, com um coração novo; com um olhar novo da pessoa em relação a si mesma, em relação a Deus, e a toda a realidade. Francisco muda de espírito quando passa da aventura da guerra para a escuta do Evangelho da paz. Homem atento, Francisco na capela de Santa Maria dos Anjos, depois de escutar no Evangelho o convite que o Senhor lhe faz para viver a missão da paz, sem medo, afirma: “Eis o que quero realizar com todas as minhas forças!”. Foi acontecimento que o marcou para sempre. No Testamento recorda: “Nesta saudação o Senhor me revelou que disséssemos: o Senhor te dê a paz!”.

“Até ao fim da vida, Francisco procurou sempre e acima de tudo desejar ter o Espírito do Senhor. E o Espírito incessantemente o foi conduzindo por caminhos de desprendimento de si mesmo cada vez mais profundo. Essa desapropriação interior, longe de constituir empobrecimento da sua rica personalidade, alargava-lhe, no coração, um espaço cada vez maior. Ia crescendo nele a capacidade de comunhão e de fraternidade. Recusando apropriar-se fosse do que fosse, entrava à vontade em comunhão com qualquer criatura. A pobreza transformava-se em riqueza. Era a chave do Reino. Com tal espírito de mansidão, Francisco renascia, ao mesmo tempo, para Deus, para o mundo e para si próprio” (E. Leclerc). Francisco renascia… para si próprio, reconciliando-se consigo; para Deus, descobrindo-O diferente; para os outros, chamando-os irmãos; para todos os seres, vendo-os todos, a partir da mesma origem – Deus Criador e Pai.

Em sinal de compromisso profético, quem vive o “espírito de Assis”, reza: “Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz: onde houver ódio, ofensa, discórdia, dúvida, erro, desespero, tristeza, trevas, que eu leve amor, perdão, união, fé, verdade, esperança, alegria, luz… Que eu procure mais: consolar, que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se ressuscita para a vida eterna!”. Boa síntese do “espírito de Assis”.

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