Entrevista com Frei Diogo Luís Fuitem

Quem é Frei Diogo Luís Fuitem?

Sou Frei Diogo Luís, religioso franciscano conventual já há 40 anos, tenho 35 anos de sacerdócio. Ultimamente estou me dedicando ao trabalho de direção, redação de preparo da revista O Mensageiro de Santo Antônio. Fiz o noviciado em Pádua, inclusive no ano passado passei o dia de hoje, 13 de junho, participando das festividades em louvor a Santo Antônio, lá em Pádua, me sinto bem a vontade para falar sobre este Santo que conquistou o coração de todo o povo, não só do povo brasileiro, podemos dizer do povo do mundo inteiro.

Fale um pouco sobre a vida de Santo Antônio.>

Santo Antônio é português de nascimento, ele nasceu em 1195, em Lisboa na escola da Catedral. Aos 15 anos sentiu o chamado para a vida religiosa, ingressou entre os agostinianos do convento, do mosteiro de São Vicente de Fora, lá nos arredores de Lisboa. Mais tarde pediu para ser transferido para o mosteiro de Santa Cruz em Coimbra para ficar afastado da família e não sofrer tanta influência dos parentes e amigos. Permaneceu em Coimbra 08 anos, se dedicando muito a vida de oração, a vida de estudo, a vida de pesquisa sobre a Sagrada Escritura, o tempo que ele viveu em Coimbra foi um tempo muito importante, porque se formou espiritualmente para a missão.

Aos 25 anos depois de ter sido ordenado sacerdote ele se entusiasmou pela vida franciscana, via nos freis simples e despojados a pobreza franciscana, e ao mesmo tempo a disposição em evangelizar. Estavam chegando da Itália para evangelizar sobre tudo o mundo islâmico, então ele quis também abraçar essa causa franciscana e missionária foi enviado para África, para Marrocos. Lá ele sofreu febre, então pensou em voltar para Portugal e eis que o navio, por causa de uma tempestade, foi levado para o sul da Itália, na Cicília. Em Assis encontrou-se com São Francisco, os dois grandes santos se conheceram, ele foi destinado para o norte da Itália, e ali depois de um período vivendo retirado, ele começou a mostrar sua grande capacidade de comunicador, de pregador da palavra de Deus, ele foi então destinado para esta obra, esclarecer o povo católico, orientando-os para o caminho do evangelho.

Qual a influência de Santo Antônio em sua vida?

Eu tive a oportunidade de fazer o noviciado lá em Pádua, então a figura de Santo Antônio me impressionou muito, via o quanto é grande a devoção a esse santo. Os santos antes do Concílio tinham um destaque muito grande dentro da Igreja, depois parece que essa devoção esmoreceu, agora parece que está voltando, e pode ser aproveitada para a evangelização. Santo Antônio foi um grande catequista, é um exemplo, um estímulo para nós trabalharmos por todos os meios, inclusive com rádio, TV, internet, para que a palavra de Deus possa chegar a todos, então e o que eu admiro em Santo Antônio é primeiramente a capacidade de evangelizar, e depois de evangelizar e não ser distante, mas estar em contato com o povo, escutando suas necessidades. Daí vem os milagres a respeito da vida de Santo Antônio. Ele faleceu por causa do cansaço físico, com apenas 36 anos, lá em Pádua onde ficou tentando recuperar a saúde, mas veio a falecer em 13 de junho de 1231.

Uma das maneiras que hoje são cultivadas em praticamente todas as cidades principalmente naquelas que tem Santo Antônio como padroeiro, e é bom lembrar que no Brasil há muitas cidades, paróquias dedicadas a Santo Antônio, é homenagear Santo Antônio, rezar e pedir a proteção de Deus por meio de sua intercessão. A bênção dos pães está ligada a um fato da vida de Santo Antônio, porque ele em certa ocasião, vendo pessoas necessitadas, deu todo o pão que havia no convento, aos pobres famintos, e os colegas ficaram sem alimentos. Reclamaram que não tinha pão nem alimento algum, então eles foram na dispensa juntamente com Santo Antônio e encontraram vários cestos cheios de pães, a partir desse fato viu-se que ele tinha a capacidade de dar, ser solidário com as pessoas, e não faltava o alimento para os confrades, então surgiu a tradição benzer os pães, que significa aquilo que Santo Antônio praticou, a piedade, a partilha, que podemos realizar com nossos irmãos, repartindo o pouco que temos, e nada nos faltará. Santo Antônio também foi grande distribuidor da palavra de Deus, um grande catequista, então esses pães significam também a palavra de Deus que ele comunicou ao mundo.

Quando iniciou a divulgação da revista “O Mensageiro de Santo Antônio”, por que esse nome? Qual é seu objetivo?

A Revista “O Mensageiro de Santo Antônio” já tem 100 anos, começou a ser publicada em Pádua, os peregrinos que visitavam e freqüentavam a Basílica queriam ter um contato com a devoção do Santo, então surgiu um boletim italiano e meses depois se tornou uma revista com o nome de “O Mensageiro de Santo Antônio”. Essa revista começou a ser publicada também em várias línguas, então são 17 anos que a revista tem sido impressa e distribuída por nós aqui no Brasil. Temos uma equipe que está trabalhando em Santo André-SP, estamos aqui hoje justamente com essa finalidade, fazer com que os devotos de Santo Antônio conheçam essa revista, onde colocamos os sermões, tentando divulgar algo da vida do Santo, que possa interessar as pessoas que lêem a revista ou aquelas pessoas que querem conhecer mais a vida deste santo.

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