Encontros afetivos

Somos seres falantes! Muito mais que isso, nós podemos nos comunicar.

O que é comunicação interpessoal?

É a capacidade que possuímos de expressar, de interagir face a face, com palavras ou gestos. A comunicação nos permite o encontro com as outras pessoas, possibilita a convivência, ou seja, viver com; ela propicia criar laços afetivos, também trás o descobrir a vida e seus significados.

Sem relacionamento seria impossível a existência humana, e, graças à comunicação, podemos entrar em contato com a humanidade do outro, com suas diferenças e singularidades e ao mesmo tempo, também permitir que a outra pessoa possa nos conhecer.

Entretanto, percebemos que existem obstáculos na comunicação, mas por que isso acontece?

Podemos enumerar diversos fatores que trariam dificuldades a uma comunicação clara e conseqüentemente um bom relacionamento interpessoal, porém nos deteremos a alguns itens que julgamos importantes. Consideramos que, os processos de comunicação sofrem influências que podemos perceber e outras, que, de certa forma não enxergamos. Nem sempre estamos totalmente conscientes do que transmitimos e, em muitas ocasiões só escutamos o que nos interessa.

A comunicação não se limita a palavras, ela se realiza através de linguagem verbal e não verbal, sobretudo é carregada de sentimentos e história. Outro ponto importante é que ela se realiza de pessoa para pessoa, isso significa, cada um com sua história de vida, sua história de relacionamentos e vivências atuais, o que traz esse caráter bem inconsciente na transmissão e escuta das mensagens.

Seria muito fácil e pobre se somente interagíssemos com uma pedra, uma parede, enfim, objetos, uma vez que estes não possuem reação, não trazem história e não dão significado a suas experiências, ao contrário, nossa comunicação é dinâmica e bem diferenciada, dentre todos os seres, ela é rica e repleta de sentido, nos traz a vida.

Vejamos: se uma pessoa se coloca disposta a se relacionar, mas, se sente inferiorizada, rejeitada, desconfiada, incompreendida, injustiçada, sem conhecimento sobre o assunto, ou, auto-suficientes, inteligentes, amadas, confiantes, entre muitos outros sentimentos, resultante da realidade em que está vivendo ou da história passada, sua relação, postura e reação diante de alguém está muito precisamente norteada por suas percepções e sensações interiores. Portanto, se não nos conhecemos o mínimo, não estamos abertos a conhecer os outros, e logo teremos a tendência natural de julgar, avaliar e aprovar ou desaprovar as afirmações das outras pessoas, segundo nossa imaginação, fantasia, ou nossos pré-conceitos.

A dificuldade está justamente, porque quebramos a comunicação conosco e, por isso, a comunicação com os outros ficou prejudicada. Não nos conhecemos o bastante, não percebemos claramente nossos sentimentos diante dos fatos e, por isso, muitas vezes, não expressamos como gostaríamos. Justificamos nossa atitude grosseira, às vezes inconstante, como se fossemos “sinceros”, assim, confundimos sinceridade com falta de compreensão e amor, criando, mal-entendidos (não compreendo e não sou compreendido). Por exemplo: se uma pessoa me diz algo, mas eu não a escuto, ou escuto o que me convém, diante de tudo que trago internamente e externamente (realidade atual), eu tenho uma tendência para distorcer informação e criar distâncias. O que fazer?

É possível melhorar a nossa comunicação?
É possível. Primeiro é necessário reconhecer nossos limites. Buscar o mínimo de encontro com nós mesmos, e o máximo de desejo de encontrar com o outro. O melhor não é somente nos deter na nossa história, nem nos deter no futuro, mas é nos lançar na aventura do encontro (no momento presente), neste sentido, seremos envolvidos na busca da compreensão, nossa escuta não será seletiva, o julgamento e tudo que trazemos de história não será o que regerá nossas ações, nós poderemos experimentar a confiança, a bela atitude de acreditar… As “fofocas” não terão tanto peso, porque nas relações, o que nos interessará, será aquilo que a pessoa nos fala, não o que nós imaginamos saber.

O segredo talvez seja confiar e assim, compreender, não nos conformar com o que já sabemos, ir além, isso tudo porque decidimos amar.

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