É proibido ter filhos !

Os verdadeiros pobres são tão pobres que nem mesmo sentem-se proprietários do próprio corpo. Houve tempo em que sua pobreza não era tão extrema. Tinham, ao menos pelo que se sabe da maioria das legislações, o consolo de serem ricos em filhos. Tanto isso é verdade que recebiam o nome de proletários, já que não eram nem podiam ser proprietários de nada senão dos muitos filhos que costumavam gerar. Pertencentes à última classe do povo, os pobres só eram úteis pela prole, isto é, pelos filhos que geravam, já que, na Primeira Onda, ter filhos era uma riqueza até para o Estado que precisavam deles.

As mudanças econômicas trazidas pela Segunda Onda, caracterizada pelo industrialismo e suas inúmeras conseqüências, tornaram o cidadão que gera muitos filhos uma pessoa incômoda e pesada ao Estado, que remunera as pessoas de acordo com o seu trabalho e não de acordo com sua real necessidade. E a competitividade que se instaurou no planeta transformou algumas nações em nações imensamente ricas e outras, em sua maioria, em nações excessivamente pobres.

Às nações ricas não interessa mais uma família com muitos filhos, uma vez que máquinas e robôs substituem plenamente os braços, que antes eram indispensáveis na agricultura e na indústria, então muito primitiva. Se antes os braços eram baratos, hoje não são. Um homem custa demais ao Estado ou ao patrão, enquanto a máquina pode custar muito no começo, mas com o tempo compensa. O robô gasta pouco, come quase nada, produz muito e jamais reclama os seus direitos… Às nações pobres os filhos também pesam demais, pois, não podendo vender o suficiente, não podem comprar o necessário para produzir mais. Com isso, ter um índice populacional muito grande dentro do país não é um bom negócio.

E foi assim que a Segunda Onda gerou a família de um ou dois filhos para que o país sobreviva, ou para que o país não empobreça… Mas isso tem seus percalços. Países ricos como a Alemanha, Suécia, França e Dinamarca correm o risco de desaparecer em um século porque seus cidadãos insistem em ter um ou até nenhum filho… A super populosa China pune o casal que ousa ter mais de um filho. E o rico, mas pobremente administrado Brasil, caminha em direção do aborto, do DIU e da massificação para que seu povo não tenha mais de dois filhos, pois não é negócio para o país ter tantas bocas, quando tem tanta dívida lá fora.

Em outros tempos isto seria uma riqueza. Hoje é um peso. Assim, o proletário que ontem era útil ao menos pelos trabalhadores que dava à nação, hoje são um problema porque a nação não suporta mais bocas e não precisa desses braços. Houve tempo em que era proibido não ter filhos e o casal que não os tivesse era visto como maldito perante Deus. Hoje é maldito perante os governos aquele que produz pouco e enche a casa de bocas famintas. A única coisa que ainda justificava o pobre, acabou. E chegamos então a mais miserável de todas as classes: a dos pobres que nem filhos podem ter porque o país não precisa deles…

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