É preciso ir além

Um médico não compareceu ao hospital e Jesus foi atender os pacientes em seu lugar. Amarrou o cabelo, vestiu a roupa branca e, ao atender o primeiro paciente, perguntou: “O que você tem?”. O paciente respondeu: “Eu tenho muita dor no estômago, fiz exame e estou com úlcera”. Jesus levantou a mão e disse: “Sê curado!”. E escreveu na receita alguma coisa. Lá fora as pessoas perguntaram: “Como é o médico?”. O paciente respondeu: “Igualzinho aos outros, não coloca nem as mãos na gente…”.

É comum nos deixarmos prender pelo que é negativo. Temos o triste hábito de nos deixar atrair pelo negativo, pela infelicidade do outro, pelo que é ruim. Corremos o sério risco de deixar a graça de Deus passar despercebida. É hora de agir com misericórdia com nós mesmos e com o próximo. Misericórdia nos gestos e também nas palavras. Não denegrir, não maltratar, dizer a verdade sem humilhar, sem ofender.

Deus sabe combinar a verdade com a misericórdia.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres” (Jo 8,32)

Há pouco tempo, um amigo meu aproximou-se de mim com aquele “bafo de onça” e falou assim: “Estou bêbado, nem sou digno de chegar perto de você!”. Coloquei a mão em seu ombro e ele, com os olhos cheios de lágrimas, “chapado”, pediu desculpas e me contou tudo o que estava vivendo. E eu o ouvi, porque ali estava um filho de Deus. Por ser diácono da Igreja, viver em comunidade de vida, não significa que sou melhor do que ele em nada.

Quando chegarmos ao Céu haverá uma surpresa: “Nossa, você aqui?”. Também aqueles que chegarem ao inferno ficarão surpresos: “Nossa, você estava na Igreja todos os dias, agora está aqui?”.

A justiça sem Deus nos distancia do verdadeiro amor; sentimos indignação, raiva e, em nome de Deus, matamos as pessoas. Como temos visto em tantos países, em nome da justiça sem a misericórdia, inocentes são mortos. Nossa mudança de vida acontece a partir do momento em que experimentamos o amor de Deus. A misericórdia não age contra a justiça, age acima dela. É o segundo nome de deus porque o primeiro é o Amor.

É assim que precisamos agir com as pessoas da nossa família e com aqueles que nos perseguem. A santidade não impede a misericórdia: se alguém está nas drogas, na bebida, fala palavrão e eu não, não significa que eu esteja salvo. A busca da santidade causa a misericórdia. Sabemos que é mais fácil condenar, viver a misericórdia é um desafio constante, principalmente quando conhecemos todos os erros das pessoas que mais amamos.

Veja, se eu dissesse: naquela casa lá adiante há dois pais e dois filhos conversando, quantas pessoas há? Quatro? Não. Há três: o avô, o pai, que também é filho, e o neto. Caímos na evidência e julgamos pela aparência, nos esquecendo da misericórdia. Aí nos enganamos, julgamos errado, tiramos conclusões precipitadas.

Quando a Igreja proíbe algo, deixa bem claro:
As coisas odiosas devem ser restringidas o máximo possível, e as coisas benignas devem ser estendidas.

Dedico este capítulo àqueles que agem pela lei e “jogam na cara” das pessoas o que está escrito.
A lei é para o homem ou homem é para a lei?

Vivamos a lei da Misericórdia.

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