Consolação

Diante do Sacrário me pus de joelhos e em silêncio permaneci por muito tempo. Não tinha nada a dizer. O que vinha à minha mente, não se poderia chamar de adoração, nem muito menos de oração, então decidi que iria embora, pois até mesmo o sono já era mais forte que a vontade de ali permanecer.

Enquanto me levantava, ao invés de sair, sentei no banco e fechei meus olhos.

As palavras são tão frágeis nestes momentos, pois o que se sente em Deus, raramente se traduz por elas… Mas ouso tentar.

Ao sentar senti-me tão profundamente amado por Deus que meus olhos, antes perdidos, sem direção, encheram-se de lágrimas e fixaram-se, mesmo fechados, nas suaves mãos de Deus, que carinhosamente afagavam meu coração.

Deus me amava e manifestava esse amor exatamente do modo que eu precisava: um profundo e indescritível consolo.

Colocado como criança de colo, no colo Santíssimo de Deus fui embalado, ninado, acarinhado por Aquele que não teve consolações em sua agonia. E por isso mesmo, não sabendo fazer outra coisa a não ser amar, ama intensamente a quem deveria amar.

Despertei então, pois em Deus pude repousar…

Ajoelhei-me novamente e agora sim, imbuído do amor de Deus em mim, pude adorá-Lo e expressar livremente minha oração, pois acabara de aprender como fazê-lo.

O mais importante é que, quando deixei-me consolar por Deus, ao sair da Sua presença no Sacrário, Ele mesmo, presente em meu coração, deu-me a oportunidade de retribuição.

Em cada irmão que surgia à minha frente, alguns alegres, outros nem tanto, pude dar daquilo que acabara de receber.

Quando entendi o consolo de Deus, o recebi. Recebendo-o, experimentei. Quando experimentei, vivi e vivendo-o pude dá-lo, e aí, dando, o conquistei definitivamente.

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