Olhar de fé

Como superar as tristezas

Alimentar tristezas é criar um clima de intranquilidade que gera enfermidade

Essa é uma receita espiritual para quem quer vencer em Deus todas as suas tristezas: não guardá-las consigo, entregar todas a Deus.

Se você quer ser feliz, então, proíba a si mesmo de cultivar a tristeza. Não se mostre de rosto triste e mal-humorado.

Como superar as tristezas
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Olhe para trás e veja quantos sofrem mais do que você, seja com câncer, numa cadeira de rodas ou num leito de hospital. Mude já esse rosto triste e cultive a alegria, pois ela espalha bênçãos e contagia os outros. Alimentar tristezas é criar um clima de intranquilidade que gera enfermidade.

Seja feliz, porque muitos precisam de você para viver, muitos esperam o seu sorriso e precisam se contagiar com a sua alegria. Lembre-se: viver é um privilégio, por isso você precisa cultivar, diariamente, a planta preciosa da alegria. Você tem o direito de chorar, mas mesmo entre lágrimas nunca tem o direito de renunciar à alegria. Sorria, pois o sorriso é o idioma do amor universal: até as crianças o compreendem. Confúcio disse: “Quando você nasceu, todos sorriam, só você chorava. Faze por viver de tal modo que, à hora de sua morte, todos chorem, só você  sorria””.

Aconteça o que acontecer, viva alegre. A alegria dissipa as nuvens mais negras. Para isso é preciso cuidar dos pensamentos; pois a nossa felicidade depende da índole dos nossos pensamentos. Quem souber dominar seus pensamentos saberá governar a sua vida.

É saudável saber que nada é estável nas coisas humanas; portanto, é preciso evitar tanto a euforia na prosperidade quanto a depressão na adversidade. A imaginação é a alma da tristeza ou da alegria; ela precisa ser dominada; saiba que é mais fácil reprimir a primeira fantasia do que todas aquelas que a seguem.

O pensar bem é causa de saúde e de felicidade; muitas vezes, o contentamento torna os pobres ricos; o descontentamento torna os ricos pobres. Você sabe que “quem ama o feio, bonito lhe parece? Tristezas não pagam dívidas, portanto, de nada vale alimentá-las. Não se pode também ficar remoendo os  tristes acontecimentos  do passado,  pois sabemos  que “águas passadas não movem moinhos”. Como dizem os ingleses: “não adianta chorar sobre o leite derramado”; é melhor ir logo em busca de outro.

Com um rosto sorridente, o homem duplica as capacidades que possui. Um coração alegre faz tanto bem quanto os remédios. O povo diz sabiamente que quem canta seus males espanta. Quando você mergulha na tristeza, não consegue subir um degrau; mas se você se firma na alegria, consegue galgar montanhas.

Acho que você já ouviu a história daquele rapaz que andava triste, porque não tinha sapatos, até que encontrou alguém que não tinha os pés. Ele estancou suas  lágrimas no mesmo instante. Certamente, muitos estão em situação pior do que a nossa. O melhor remédio para a própria tristeza é procurar com presteza consolar a tristeza dos outros. Nada seca tão depressa nossas lágrimas do que enxugarmos a lágrima alheia. A caridade produz alegria; todas as pessoas e grupos que fazem o bem aos outros são alegres.

É fundamental manter o bom humor, pois ele é, em primeiro lugar, o melhor promotor da saúde. Um sorriso custa bem menos que a eletricidade e dá mais claridade. A alegria não está nas coisas, mas em nós, e ela é para o corpo humano o mesmo que o sol é para as plantas. Quem está contente jamais será arruinado. A vida não aprecia aqueles que se lamentam; ela os coloca de lado. Ela ama aqueles que a amam.

Nas horas difíceis ou constrangedoras, saiba vencer a tristeza e o mau humor com uma brincadeira saudável, sem ofender aos outros. Certa vez, o Papa João XXIII fez uma visita a uma paróquia de Roma; ao passar pelo povo, ouviu uma senhora dizer para outra:  “Nossa, como ele é gordo!”. O Papa ouviu, virou-se para a mulher e disse sorrindo: “Minha senhora, o Conclave não é um concurso de beleza!”. E continuou a caminhada.

Um casal viajava com os filhos; de repente, a esposa começou a se queixar para o marido: “Você não me abraça mais, não me faz mais aqueles carinhos gostosos que fazia quando a gente viajava junto…”” E foi reclamando. Muito tranquilo e sem se ofender, o marido virou para ela e disse: “”Meu bem, naquele tempo a gente não viajava de Kombi com cinco crianças brigando nos bancos de trás!”.” E foi só risada! Saiba transformar um momento de tensão num momento de descontração brincando.

A lamentação é uma das coisas mais tristes do relacionamento humano. Nada resolve e cria um clima de pessimismo, de acusação, tristeza e amargura. Estamos acostumados a reclamar das coisas que nos aborrecem, mas não vemos o lado bom que também existe em nossa vida.

Não fique se queixando tanto dos impostos que você paga, isso significa que você tem emprego ou bens. Não posso reclamar da confusão que eu tenho de limpar após uma festa, pois isso significa que estive rodeado de amigos. Da mesma forma, não devo reclamar das paredes que precisam ser pintadas, da lâmpada que precisa ser trocada, porque isso significa que tenho minha moradia. Assim como não devo me lamentar porque eu não achei um lugar para estacionar o carro, pois isso significa que, além de ter a felicidade de poder andar, tenho um carro que muitos não têm.

Não reclame da senhora que canta desafinado atrás de você, ao menos isso significa que você  pode ouvir. Não reclame do cansaço e dos músculos doloridos que você sente ao fim do dia, porque isso significa que você tem saúde para trabalhar. E assim, eu e você poderíamos multiplicar esses exemplos.

Por mais difícil que esteja sua situação, tente sorrir, você verá que será mais fácil passar por mais essa prova. Se não resolver seu problema, agradeça a Deus por eles e peça coragem para enfrentá-los com dignidade. Não estrague o seu dia. A sua irritação não solucionará problema algum. As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas; assim como seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo consegue realizar. O seu mau humor não modifica a vida, a sua tristeza não ilumina os caminhos. O seu desânimo não edifica ninguém e as suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.

Se você acordou nesta manhã com mais saúde do que doença, você é mais abençoado do que um milhão que não sobreviverão nesta semana. Quantos por este mundo estão enfrentando os perigos das guerras, o horror das bombas, a solidão de uma prisão ou as aflições da fome! Quantos não podem frequentar uma igreja sem o medo de molestamento, de prisão, tortura, ou morte! Quantos não têm comida em casa, roupas, uma casa para morar… Tudo isso faz a gente concluir que é uma grande blasfêmia ficar reclamando da vida e da própria sorte.

“O que perturba os homens não são as coisas que acontecem, mas sim a opinião que eles têm delas”, disse Demócrito (461-361 a.C). Uma pedra pode ser vista de muitas maneiras: O distraído nela tropeçou. O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a, construiu. O camponês, cansado, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drummond a poetizou. Já David matou Golias. Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe “pedra” no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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