Coisas do coração...

A devoção ao Sagrado Coração tem profundas raízes e conexões com a religiosidade popular e está marcada por uma forte relação com a afetividade do ser humano. Assim está ilustrado nas obras de numerosos artistas, especialmente nas do Século XII, cujas pinturas e esculturas refletem essa devoção (Um Cristo com o coração nas mãos, um Cristo que abre e presenteia seu coração, um Cristo com um coração em primeiro plano, atendendo às pessoas no caminho, etc.) Nas artes plásticas, esta devoção também está associada com a paixão (o coração atravessado pela lança do soldado).

O Instituto da Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus nasce e se estrutura no final do século XIX e começo do século XX, em um contexto de manifestações, práticas e discurso religioso centrados na devoção ao Sagrado Coração.

O coração nos remete ao centro-centro da pessoa humana – ‘Diga-me com de que se alimenta seu coração e posso dizer quem és’ ; nos direciona à autenticidade da pessoa – ‘Quem vê cara não vê coração; nos transporta àquilo que dá sentido à vida do homem – ‘Quando tiver que decidir algo importante, siga o seu coração’; nos coloca frente à bondade -‘É um homem de bom coração’; nos impulsiona a lutar por grandes conquistas – ‘Tem um grande coração’; nos anima a redobrar nossas forças para cumprir nossas tarefas ‘Porei cabeça e coração neste projeto’.

O coração está também associado a sentimentos, atos emoções. Isto resulta necessário para evitar crer que a Deus se chega somente pela intelectualidade, especialmente nesta época marcada por um racionalismo que pode levar o homem a criar seus próprios deuses. O coração está associado com a paixão, com o sentido do esforço, com a aceitação do sacrifício quando faz sentido, com a capacidade humana de pôr limites à própria satisfação. Esta associação resulta particularmente chave em nossos dias quando estamos perdendo a capacidade de entregar-nos pelos outros, de comprometer-nos com ideais altruístas. Tendemos a aceitar como válida a premissa de que toda ação do homem tem como único fim obter uma recompensa, uma espécie de troca pragmática de mútuas satisfações. Finalmente, o coração está certamente associado com o amor humano, como se aí radicasse a fonte e a capacidade para amar de verdade. Imagem que hoje pode ajudar a muitos jovens que tendem a reduzir o amor à dimensão da pura sensibilidade.

Certamente há grandes possibilidades de fazer a passagem desta devoção a uma espiritualidade. Tarefa pertinente, de plena vigência neste novo milênio afetado por uma cultura que direciona o olhar humano à satisfação individual, a ter mais e a qualquer preço, que banaliza as relações entre as pessoas, que coloca a competição como a mola do relacionamento entre os seres humanos, que condiciona o sucesso à dimensão material, que assume o idealismo como uma quimera. Época que parece ter esquecido que o homem é capaz de altruísmo, capaz de doar-se, capaz de dar sem esperar recompensas, capaz de amar e de confiar-se no Deus que o cuida e que sabe do que precisa. (Mt 6, 28-32) “E por que vos inquietais com o que vestis? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam… Não vos aflijais nem digais: que comeremos, que beberemos?… Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso…

Centrar-se no Coração de Jesus é centrar-se no mais divino do humano. Permite chegar a conhecer mais o Cristo de Jesus, o qual possibilita afirmar que o plenamente humano é divino. O plenamente espiritual é humano.

Fonte: Triunfo Coração de Jesus

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