Coisa estranha essa tal raiva

Coisa estranha essa tal raiva, que toma conta do peito da gente de vez em quando. Sai sem pedir permissão e nem imagino como tenha entrado… É estranho abrir os olhos, estes que vivem pro lado de dentro de mim e ver que eles me mostram um mundo secreto a ser desvendado em mim mesma. Começo a entender São Paulo ao dizer “faço o mal que não quero e esqueço o bem que quero…”.

São 19:30 e o vôo para São Paulo está uma hora atrasado, porque uma moça pediu que um rapaz se sentasse enquanto a aeronave pousava no aeroporto de Brasília e o rapaz, completamente em “crise consigo mesmo” e, pior ainda, com os outros, se ofendeu e agrediu a moça… O namorado da moça entrou na história e os dois se perderam nas ofensas e imediatamente estavam em suas próprias casas, acostumados a discutir assim… Não sentiram constrangimento nenhum… Só a polícia federal apartou a briga… Fiquei sentada em meu banco assustada com a movimentação e ao mesmo tempo pensativa…

Naquele momento eu lia um livro sobre cura dos traumas emocionais. Dessas coincidências divinas. Pude ver as crianças dentro daqueles jovens se atracarem, sem limites de um pai ou uma mãe ali por perto. A referência do respeito bíblico pelos pais se perpetua nas mínimas coisas que fazemos, nas menores reações, que por menores que sejam podem acarretar grandes confusões…

Esse menino que trazemos no peito precisa de afeto, contenção, abraço e voz firme. É um perigo trazermos esta criança sem a atenção divina que o Senhor nos chama a viver. Em cada atitude esta criança fala e nela está a responsabilidade de vermos o Pai ou não… É a criança interior que decide, que guia, que manda e desmanda se não damos atenção e amadurecimento em Deus para ela. E se for uma atenção egocêntrica, o perigo é maior ainda.

Uma criança ferida por correções mal feitas por seus pais, carrega em sua face de jovem um semblante de indefinição, uma atitude sem términos bem sucedidos, uma fase interminada e aberta, onde cada pessoa que espontânea e acidentalmente toca essa abertura pode receber uma resposta desregrada, regada de insegurança e medo, não estando de maneira nenhuma longe da agressividade compulsiva em prol de sua própria defesa.

Aí entra o poder curador de Deus, não com varinhas de condão mudando toda a realidade de uma só vez, sem respeitar a natureza que ele mesmo criou. Deus entra com sua graça capacitando o mesmo jovem a querer a Deus. Querer ser modificado, querer ser curado, para isso é preciso conhecer-se com coragem, pois é um caminho sem volta e sem atalhos. Só compreende onde habita o socorro de Deus quem se habilita a conhecer suas próprias limitações e chega no ponto crucial onde só Deus pode continuar a obra de restauração. Deus age sobre a liberdade do homem. E precisa que o próprio homem se queira bem, ao mínimo em sua humanidade.

Em qualquer momento da vida estamos a mercê de coisas que vão tocar nossos ciclos incompletos de formação, nossas inseguranças mais disfarçadas e por isso mais explicitas. Quanto mais tentamos esconder uma fragilidade aí é que ela se apresenta mais; pois uma característica clássica no esconderijo, na escuridão, nas trevas, é o medo… Esse é visível.

Aí está Deus, em seu amor, sua misericórdia. Contemos com ele! Sempre!

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