Atos de Confiança nos faz ganhar o Céu

É inútil falar a uma criança pequena sobre a importância do seu pai ou de sua mãe. Quando a criança se aventura a dar seus primeiros passos, não tem nenhum temor: alegre e confiadamente esses inseguros malabarismos têm a garantia dos braços fortes e olhos vigilantes que se antepõem a qualquer percalço. Logo, já maiores, antes dos apuros lhes bastam pensar: “ meu papai dará um jeito” ou para manifestar sua dignidade ou seus méritos – se bem não próprios -, consideram suficiente dizer: “ Sou filho de fulano”, “meu papai pode fazer tudo”, “ Se eu perguntar a ele, saberá tudo”.

Desta atitude do filho com seu pai é fácil perceber e para nosso assunto a atitude da criatura com seu criador, porque um ato de confiança é um ato de culto a Deus: expressar nossa confiança total n’Ele, como Pai amoroso, sábio e onipotente. Ao fazer um ato de confiança, afirmamos nosso convencimento de que o amor de Deus é tão grande que Ele se vê obrigado com a promessa notável de levar-nos ao céu (…“confio em vossa bondade e misericórdia infinitas”). Afirmamos também nossa convicção de que sua misericórdia sem limites sobrepõe às debilidades e extravios humanos.

Digo de outro modo, ao fazer um ato de confiança, reconheço que não perderei o céu a não ser por culpa minha. Se me condeno, não será por “má sorte”, não será por causalidade que Deus me tenha abandonado. Se vou ao inferno, será por saber de antemão minha vontade acerca de Deus. Se me vejo longe d’Ele por toda eternidade, será porque deliberadamente, aqui e agora, recuso a Deus com os olhos bem abertos, estou recusando a mão que Deus me estendia.

Ao saber o que é um ato de confiança, fica fácil deduzir quais os pecados contra esta virtude. Podemos pecar contra ela por “confiança excessiva”, se for possível falar assim. Seria melhor dizer por “confiança mal-entendida” ou “confiança cínica”, ou seja, esperando que Deus faça tudo, em vez de quase tudo. Deus dá a cada um as graças que necessita para ir ao céu, mas espera que cooperemos com a sua graça. Como o bom pai que provê a seus filhos, casa alimento e atenção médica, mas espera que, pelo menos, zelem pela roupa dada, e que tomem os medicamentos para recuperar a saúde. Da mesma maneira, Deus assim espera de cada um que utilize a graça e os dons que nos proporciona.

No outro extremo se situa outro tipo de pecado contra a virtude da confiança: o desespero. Enquanto uns esperam demasiadamente de Deus, outros esperam demasiadamente pouco. O caso mais freqüente do pecado do desespero é o que diz: “Tenho pecado tanto em minha vida, como posso querer que Deus me perdoe agora? Ele pode perdoar os que são como eu…” A tristeza, o abatimento, e inclusive os pensamentos de suicídio se inserem sobre o desesperado. A gravidade desta atitude fundamenta-se no insulto que faz à infinita misericórdia de Deus por duvidar dela. Judas Isacriotes, enforcado, é a imagem perfeita do pecador desesperado: do que tem remorso (arrependimento), mas não dor pela ofensa a Deus.

Possivelmente para maioria de nós, o desespero constituí um perigo remoto, para nós é mais fácil cair no pecado da presunção. Mas, cada vez que pecamos para evitar um mal real ou imaginário – enganar a outro para sair de uma situação comprometedora, usar contraceptivos para evitar ter outro filho – está implícito nele certa doses de falta de confiança. Acabamos por não convencer-nos de que se fizermos o que Deus quer, tudo, absolutamente tudo, será sempre para nosso bem.

Por fim, nos unimos a Deus com nossa fé n’Ele, nos unimos a Deus com nossa confiança n’Ele. Mas, acima de tudo, a união plena se realiza com nosso amor. Fazemos um ato de amor a Deus cada vez que manifestamos – interiormente com a mente e o coração ou externamente, com palavras ou obras – habitualmente que amamos a Deus sobre todas as coisas e pessoas.

“No entardecer da vida seremos julgados pelo amor”. (S. João da Cruz)

Fonte: encuentra.com
Tradução: Marcos Vasconcelos
Com. Canção Nova

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