Artigo

Talvez seja interessante definir os termos. “Consciência”, segundo o dicionário do Aurélio, é “o conhecimento imediato da sua própria atividade psíquica”, é também, “noção, idéia”. “Negra” aqui, significa culturas afro, etnias negras, estando as mesmas no Continente Africano ou na diáspora, isto é, espalhadas por outros Continentes. Concluindo a definição dos termos, podemos dizer que, “consciência negra” é o afro-descendente conhecer a sua própria cultura, ter orgulho dela, conversar sobre ela, amá-la, divulgá-la e valorizá-la. Supõe-se que, se admiro minha cultura, valorizarei minha pessoa, reforçando assim a auto-estima. Vou gostar de mim, vou ser sujeito de minha história, vou conhecer a história do meu povo e comprometer-me com ela. Vou ser gente, ser humano, com passado presente e futuro. Vou ser feliz.

No Brasil, o Dia da Consciência Negra, é comemorado em 20 de novembro porque nesta data foi assassinado o principal líder negro e herói do povo afro-brasileiro, Zumbidos Palmares. Ele tinha consciência negra, tanto individual quanto coletiva, de grupo, de povo. Rejeitou todo tipo de escravidão e aceitou no Quilombo de Palmares negros africanos e brasileiros, indígenas e brancos solidários com a causa dos povos negros.

Ainda temos que crescer muito no sentido da consciência negra. É necessário que os afro-brasileiros votem em políticos negros e comprometidos com nossa causa; criem núcleos de pré-vestibulares para negros e também associações afro com o intuito de resgatar os valores da nossa cultura; ocupem as cotas para negro nas Universidades e cargos públicos; criem a Pastoral Afro-brasileira nas paróquias, orientada pelo documento de estudos da CNBB, número 85; comprem bonecas negras para suas filhas; valorizem as vestes e os cabelos afro; busquem espaço nos jornais, na tv, no radio, nas revistas, na música (samba, congada, moçambique, hip-hop, dança de rua), denunciem situações de discriminação e racismo, rejeitem piadinhas que nos menosprezam.

A cada dia estamos tomando consciência de nossa negritude, de nossos direitos e deveres como cidadãos e afro-brasileiros. Cresce o número de padres, bispos, religiosos, seminaristas, juízes (as), médicos (as), promotores (as), advogados (as), arquitetos (as), professores (as), jornalistas. Votei para deputado federal e estadual, candidatos negros e comprometidos com a causa, ambos foram eleitos. Estamos avançando! Você está percebendo? Está dando sua contribuição?

Somos 45,3 % da população brasileira e cremos que o Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo, passa pela igualdade, fraternidade e direito de oportunidade.

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