A vida é um dom

“Nasci com paralisia cerebral e amo a vida”. Esta é a síntese de testemunho de uma mulher mexicana que tem vivido durante 40 anos com esta lesão e decidiu erguer sua voz de protesto contra a legalização do aborto eugenésico (matar o embrião em curso de desenvolvimento) no país.

Beatriz Molina Ortiz Mosteiro comunicou-se com a ACI Imprensa para narrar sua história e assegurar que “a vida é um dom, uma oportunidade de ser, ainda em circunstâncias tão difíceis como as minhas ou piores”.

A história de Beatriz
Beatriz nasceu com “uma lesão neurológica, a qual os médicos chamam de “paralisia cerebral”. Não é uma enfermidade. É uma condição que afetou e afeta o centro da linguagem e outras áreas de meu cérebro”.

Segundo relata, não pode se valer de si mesma “para coisas tão simples como comer única, ir ao banho, caminhar, etc. E ainda que sou independente de espírito, vejo-me obrigada a necessitar do apoio de minha mãe”.

Apesar destas limitações, Beatriz conseguiu um emprego. “O pior de ter paralisia cerebral, para mim, é não poder falar. Sou inteligente, trabalho com os bebês e crianças mais pequeninas no Centro Infantil da Associação Pró Pessoas com Paralisia Cerebral (APAC); amo-os e alegro-me com seus resultados. Comunico-me pelo computador e com meus tabuleiros de comunicação que tem se realizado na APAC para mim, diz.

Beatriz recorda há alguns anos, “seis estudantes de preparatório do Colégio Moderno Americano entrevistaram-me em minha casa. Uma de suas perguntas foi se eu haveria optado por viver se houvesse sabido que teria as severas limitações que sofro”.
“Sem duvidar um segundo afirmei-lhes que sim. Não é fácil ter paralisia cerebral; a vida e as pessoas nos marginalizam, é difícil ser aceito e ser “ouvido” quando não se tem voz porém creio que eu e todos o que temos qualquer incapacidade ou má formação por nascimento ou acidente temos o direito de viver e uma missão especial na vida a cumprir”, sustenta.

Segundo Beatriz, “nós, os incapacitados geramos habilidade, bondade e emprego”. “Em APAC dão trabalho a 386 pessoas das quais em 19% tem algum tipo de incapacidade. A maioria, com paralisia cerebral. Também trabalham nos centros da APAC pessoas surdas, cegas e com lesão medular”.

“Amo a vida e penso fazer ainda muitas coisas boas e divertidas. Viajar, alegrar-me e seguramente também sofrer, adoecer, sentir-me triste… Estou consciente de que isso se trata de viver, e não em vão tenho vivido 40 anos dentro de um corpo que não responde às ordens que o cérebro lhe dá. Advogo pelo respeito à vida e pela não violência”, termina Beatriz.

Fonte: ACI

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