A sutileza da tentação

CONCLUSÃO
4 – No começo da Quaresma, a Igreja convida os cristãos, que se reúnem na Eucaristia, a meditar no pecado e na tentação, ambos presentes neste mundo. As tentações do povo de Deus no deserto e as de Cristo conservam a sua atualidade. O adversário do plano de Deus, o demônio, continua a atacar e a agir, mesmo que muitos já não acreditem nele e tudo expliquem pela liberdade humana. Jesus experimentou a fome mas não se serviu dos seus poderes para interesse próprio, embora num uso legítimo. Jesus não quis inaugurar o Reino de Deus com obras poderosas, transformando pedras em pão, nem com um ato extraordinário precipitando-se do pináculo do templo, nem dominando sobre todo o universo.

O Reino de Deus não deve ser confundido com as realidades deste mundo, por mais válidas que elas sejam. As tentações são sempre muito subtis. O apóstolo e o cristão devem fugir da procura do sucesso, mesmo quando dirigem obras de assistência, ou promovem revoluções sociais, ou organizam divertimentos sãos. A quaresma ajuda o cristão a descobrir em si os perigos de alienação dos valores espirituais. O pecado é colocado no coração do homem, ele não consiste tanto no ato material quanto na soberba que se levanta contra Deus, recusando-lhe obediência e dependência.
Senhor, não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Funchal, 17 de Fevereiro de 2002

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