A sexualidade no plano de Deus

Entender qual é o verdadeiro sentido e uso da sexualidade humana, é o tema de fundo no 6º e no 9º mandamento.

As atitudes equivocadas na concepção da sexualidade situam-se somente em dois extremos. Por um lado está o comum, hedonista, aquele cujo maior anseio na vida é o prazer. O hedonista entende o sexual como um direito pessoal, de que não há que prestar contas a ninguém. Para ele ou ela, os órgãos genitais servem para sua satisfação individual, sua gratificação física e nada mais. Esta atitude – quase identificada com a de um animal – é, por exemplo, a de uma jovem de fácil relação, que tem ‘‘amores’’, e jamais amor. É também a atitude de certos respeitáveis maridos, que vergonhosamente ocultos, andam sempre em busca de novos mundos de prazer a conquistar.

No outro extremo está a atitude do tímido, que considera a sexualidade como algo sujo e vergonhoso, um mal necessário com o que a raça humana está manchada. Entende-se claramente que o poder de procriação deve ser usado para perpetuar a humanidade, mas para ele a união física entre os esposos é algo torpe, uma realidade que a duras penas se tolera. Tal atitude mental adquire-se ordinariamente na infância, pela educação equivocada de pais e mestres. Em sua timidez ou preguiça por tratar-se desse tema, os adultos conformam-se em manifestar às crianças que as partes íntimas do corpo são realidades vergonhosas, ao invés de fazê-las compreender que são uma dádiva divina que se ordena puramente à vida, ao amor, à fecundidade.

Na informação obtida em conversações de amigos maiores, a criança adquire a noção do sexual como algo sórdido e baixo, e essa atitude terá que perpetuar-se: a criança assim deformada, transmitirá, por sua vez, a seus filhos. Tal concepção errônea do sexo turba a mais de um matrimônio, harmônico nos demais aspectos.

A concepção reta da sexualidade – isto é, o que Deus tem assinalado – consiste em saber que o poder de procriar é um dom maravilhoso que Deus deu ao homem. Poderia ter dado a existência a cada corpo (igual ao que faz com a alma), por um ato direto de sua vontade. Ao contrário disto, Deus, em sua bondade, dignou-se fazer participantes o homem e a mulher de seu poder criador, por isso o ato de engendrar chamamo-lo de procriação; criação conjunta. Devemos, pois, compreender e entender a fundo, que assim é o sexo, assim é o matrimônio.

Por ser obra de Deus, o sexo é, por natureza, bom, santo, sagrado. Não é algo turvo, não é uma coisa má e sórdida. A degradação da sexualidade aparece quando é arrancada do marco divino da paternidade potencial e do matrimônio. A capacidade de engendrar e os órgãos genitais não levam ao estigma do mal: este é marcado à vontade quando se desvia de seu fim, quando é usado como um mero instrumento de prazer e gratificação, como um porco que se enche de comida, devorando ainda já farto de comer.

Assim, pois, não é pecado o exercício da faculdade de procriação pelos esposos – únicos a quem pertence este exercício; tampouco o é buscar e gozar o prazer da união matrimonial. Deus tem dado um grande prazer físico a este ato para assegurar a perpetuação do gênero humano. Se não existisse esse impulso do desejo físico, nem a gratificação do prazer imediato, seria habitual que os esposos se mostrassem reticentes no usar essa faculdade dada por Deus, ao terem que defrontar as cargas de uma possível paternidade. Poderia frustar-se o mandamento divino de ‘crescei e multiplicai-vos‘. Por ser um prazer dado por Deus, gozar dele não é pecado para o esposo e a esposa, sempre que não se exclua dele voluntariamente o fim próprio da união sexual.

Não obstante, como conseqüência do dano na natureza causado pelo pecado original, para muita gente – e em alguma ocasião para a maioria – esse prazer dado por Deus pode fazer-se motivo de tropeço. O domínio perfeito sobre o corpo que a razão deveria exercer está seriamente danificado. Diante do impulso apressado da carne rebelde, surge uma ânsia de prazer sexual à margem do plano de Deus. Em outras palavras, somos tentados contra a virtude da pureza.

Fonte: Ricardo Sada Fernández
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