A que Deus me chama?

Em nossa cultura ocidental, falar sobre estado de vida, significa falar sobre estado civil: solteiro ou casado. O celibato, para muitos, está ligado à vida religiosa e, sacerdotes são chamados raros no mundo de hoje.

De acordo com a mentalidade antropocêntrica, ou seja, na qual o homem está no centro e, tudo deve girar em torno de si, ele geralmente elege metas e objetivos para sua vida, por exemplo: “primeiro, vou me formar, depois me estabilizar profissional e financeiramente, então vou casar”.

Mesmo as pessoas que caminham numa vida eclesial, tendem a fazer do estado de vida um fim da mesma e, se empenham fortemente nesse discernimento, como se dele dependesse toda a sua felicidade.

Todos temos uma missão!

À luz da Palavra de Deus, no entanto, constatamos que a mentalidade divina é outra. Quando Deus nos criou, deu-nos uma missão para a Igreja e para a humanidade. O estado de vida está a serviço desta missão, como também a profissão, os bens materiais, psíquicos e espirituais. Esta missão está sempre relacionada com o ser, o fazer torna-se uma conseqüência.

Assim foi com Maria e José: os dois receberam uma anunciação de quem eram e, para que haviam sido criados. “Ave, Maria! Tu és cheia de graça, tu foste criada para ser a mãe do Salvador” (cf. Lc 1,28). “José, filho de Davi, tu és justo, e foste criado para ser esposo de Maria e pai adotivo do Redentor” (cf. Mt 1,20).

A missão é algo fundamental na descoberta do sentido de nossa vida e não termina com a nossa morte, ela continua. Se a missão precede o estado de vida, em primazia, o desabrochar da missão vem da experiência com Deus, com a minha miséria e a sua misericórdia. Saulo de Tarso teve esta experiência a caminho de Damasco, indo prender os cristãos, quando a luz de Deus iluminou suas trevas. Deste choque benéfico, que resultou numa imensa gratidão, Paulo percebeu pouco a pouco e, claramente, seu carisma de apóstolo dos gentios.

Paulo tinha “para quem viver”: Jesus Cristo e, como Ele, era chamado a dar a vida por sua Igreja, por isso podia suportar quase todo “como viver”: angústias, perseguições, traições, naufrágios e apedrejamentos.

Em tudo, era mais que vencedor! Seu estado de vida – o celibato – o ajudava a melhor cumprir sua missão na Igreja. Sua família seria muito maior; podemos dizer, de certa forma, que todo cristão verdadeiro é filho de São Paulo, pois alargou o cristianismo aos não judeus.

Para o profeta Oséias, o seu casamento era um sinal do amor de Deus para com seu povo.

São João Maria Vianney – o cura d Ars – tornou-se sacerdote para melhor ministrar o seu carisma de aconselhamento e reconciliação.

Os pais de Santa Teresinha – Luís Martin e Zélia Guerin – sentiram-se chamados à vida consagrada; casaram-se para gerar filhos para Deus: todas tornaram-se religiosas.

Fonte: Comunidade Shalom

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