A cura começa no amor

Em cada olhar, uma esperança. Um desejo. A vontade de se entregar às brincadeiras e peripécias que caracterizam as fases da infância e da adolescência. Por trás de cada sorriso, a força para se superar, trazer mais alegria e entusiasmo ao coração de familiares e também de médicos e voluntários. Equipes que trabalham e torcem pela recuperação de milhares de crianças e adolescentes com câncer, atendidos, diariamente, pelo Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – Graacc.

Os jovens pacientes usufruem de um sofisticado sistema de tratamento que abrange sessões de quimioterapia, consultas, procedimentos ambulatoriais, cirurgias, transplantes de medula óssea e outros. Por conta de nosso trabalho, fomos agraciados com a oportunidade de conhecer não apenas as instalações do Graacc, mas, principalmente, o enorme coração de todos aqueles que se dedicam ao sucesso dessa iniciativa. Um empreendimento que, desde 1991, mantém um hospital próprio em São Paulo: o Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP).

Tudo começou graças à iniciativa de pessoas como Sérgio Petrilli, então chefe de setor de Oncologia do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina, Jacinto Antonio Guidolin, que atuava como engenheiro voluntário, e Léa Della Casa Mingione, na época, experiente voluntária do Hospital do Câncer.
Depois de muitas lutas e desafios, hoje o Graacc é composto por 11 andares dotados de serviços ambulatoriais, laboratórios, quimioterapia, unidade de internação, centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva (UTI), setor de reabilitação, os mais bem equipados centros de diagnóstico por imagem da América Latina, uma avançada unidade de transplante de medula óssea, brinquedoteca e quimioteca. Quando se percorre essas instalações é possível, ainda, observar a importância do calor humano, do amor e do afeto na recuperação dos pacientes.

A maior parte das crianças e adolescentes que realizam o tratamento provém de famílias de baixa renda. O Graacc atende a todos, independentemente de possuírem ou não convênio médico. Dados do Ministério da Saúde revelam que a instituição é campeã no atendimento de novos casos de crianças e adolescentes com câncer que dependem do SUS no país.
Os pacientes vêm de diversos Estados do Brasil, bem como de cidades do interior de São Paulo. O tratamento leva em média 18 meses de cuidados intensos e grande parte das crianças e adolescentes – cerca de 40% – não tem onde se hospedar. Para dar suporte a aos pacientes e seus acompanhantes, o Graacc resolveu implantar, em 1993, o projeto

Casa de Apoio, que tem como finalidade hospedar pacientes de fora da capital. A princípio, era possível oferecer atendimento a apenas oito crianças. Hoje, uma parceria com o Instituto Ronaldo McDonald possibilitou a construção de uma nova casa com capacidade para abrigar até 30 pacientes com acompanhantes.
No local trabalham dois funcionários e 50 voluntários. As crianças e adolescentes recebem todo o suporte psicossocial, nutricional, pedagógico, jurídico e, principalmente, afetivo.
A Casa Ronald McDonald São Paulo está localizada no Planalto Paulista e tem 2.200 metros quadrados de área construída. Os apartamentos são exclusivos para o paciente e um acompanhante do sexo feminino, e o local ainda conta com salas de estar e refeição, cozinha equipada, lavanderia e jardins, garantindo conforto e qualidade de vida às crianças. O resultado não poderia mesmo ser diferente: 0% de abandono nos tratamentos.

Essa foi mais uma importante lição de vida a que tivemos acesso. É nosso desejo que ela possa seguir nos ensinando que, ao lado da ciência, o amor é a grande chance de cura para milhares de pessoas. E você? Já pensou em ser voluntário? Em participar, de alguma forma, das redes e lições que priorizam o amor e a solidariedade? Uma boa reflexão a todos.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.