Afetividade e relacionamento

O namoro precipitado pode se tornar um casamento infeliz

Escolha com a razão, ame com o coração: o critério para entrar em um namoro de forma saudável e evitar um casamento infeliz

Quando você vai comprar um sapato ou um vestido, não leva para casa o primeiro que experimenta, é claro. Você escolhe, escolhe… até gostar da cor, do modelo, do preço, e servir bem nos seus pés ou no seu corpo. Se você escolhe com tanto cuidado um simples sapato, uma calça, quanto mais cuidado você precisa ter ao “escolher” a pessoa para iniciar um namoro. Essa pessoa pode se tornar seu cônjuge e viverá ao seu lado para sempre, construirão uma vida a dois, e darão vida a novas pessoas.

Se você escolhe com tanto cuidado um simples sapato, uma calça, quanto mais cuidado você precisa ter ao “escolher” a pessoa para iniciar um namoro.

Crédito: fizkes / GettyImages

Talvez você possa, um dia, mudar de casa, mudar de profissão, mudar de cidade, mas não acontece o mesmo no casamento. É claro que você não vai escolher a futura esposa, ou o futuro marido, como se escolhe um sapato. Já dizia o poeta que “com gente é diferente”. Mas, no fundo será também uma criteriosa escolha.

Se você escolher namorar aquela garota, só porque ela é “fácil”, pode ser que você chore depois se ela o deixar por outro. Se você escolher aquele rapaz só porque ele é bonito, pode ser que amanhã ele faça você chorar quando se cansar de você. A escolha do namorado não pode ser feita só “por fora”, mas principalmente por dentro. O Pequeno Príncipe disse que “o mais importante é invisível aos olhos”.

A mulher não pode entregar o seu corpo ao outro para “segurá-lo” no namoro. “Não faça do seu corpo uma arma, pois a vítima pode ser você”.

Não se trata de escolher alguém perfeito, pois quem escolhe demais, acaba não se casando nunca!

O namoro é este belo tempo de saudável relacionamento entre os jovens, onde, conhecendo-se mutuamente, vão se descobrindo e fazendo “a grande escolha”. Já ouvi alguém dizer, erradamente, que “o casamento é um tiro no escuro”; isto é, não se sabe onde vai acertar; não se sabe se vai dar certo. Isso acontece quando não há preparação para a união definitiva, quando não se leva a sério o amor pelo outro.

Todo casamento começa em um namoro; por isso não se pode levá-lo na brincadeira; é coisa séria. A preparação para o seu casamento começa no namoro, quando você conhece o outro e verifica se há afinidade dele com você e com os seus valores.

Se o seu namoro for sério, seu casamento não será um tiro no escuro, e nem uma roleta da sorte. O seu casamento vai começar num namoro. Por isso, não brinque com ele, não faça dele apenas um passatempo ou uma “gostosa” aventura; você estaria brincando com a sua vida e com a vida do outro.

Só comece a namorar quando você souber “porque” vai namorar. Mais importante do que a idade para começar a namorar é a sua maturidade. A idade em que você deve começar a namorar é aquela na qual você já pensa no casamento, com seriedade, mesmo que ele esteja ainda longe. Não se faz nada bem feito na vida se a gente não tem uma meta a atingir.

Para que você possa fazer bem uma escolha, é preciso que saiba antes o que você quer

Sem isto a escolha fica difícil. Que tipo de rapaz você quer? Que qualidades a sua namorada deve ter? O que você espera dele ou dela? Essa premissa é fundamental. Se você não sabe o que quer, acaba levando qualquer um…

Os valores do seu namorado devem ser os mesmos valores seus, aqueles que você não abre mão: honestidade, fé, maturidade, compromisso etc; senão, não haverá encontro de almas.

Se você é religiosa e quer viver segundo a Lei de Deus, como namorar um rapaz que não quer nada disso? É preciso ser coerente com você. O casamento é uma unidade de almas e a religião é muito importante nessa união.

Se você tem uma boa família, se seus pais se amam, seus irmãos estão juntos, então será difícil construir a vida com alguém que não dá importância para o valor da família. Tenho encontrado muitos casais de namorados e de casados que vivem uma dicotomia nas suas vidas religiosas; e isso é motivo de desentendimento entre eles. Há jovens que pensam assim: “Eu sou religiosa, e ele não; mas, com o tempo, eu o levo para Deus”. Isso não é impossível, e eu tenho visto acontecer. No entanto, não é fácil. E a conversão da pessoa não basta que seja aparente e superficial; há que ser profunda, para que possa satisfazer os seus anseios religiosos.

Não renuncie aos seus autênticos valores na escolha do outro. Se é lícito você tentar adequar-se às exigências do outro, por outro lado, não é lícito você matar os seus valores essenciais para não perdê-lo. Diz o povo que é melhor andar só do que mal acompanhado. Tenho visto muita gente chorar, depois de casado, porque aceitaram se casar sem convicção, e o fizeram mais por conveniência.

Não sacrifique o que você é para conquistar alguém. Há coisas secundárias dos quais podemos abdicar, mas há valores essenciais que não podem ser sacrificados.

Pelo que já foi dito acima, o namoro é o tempo de conhecer o outro, mais por dentro do que por fora. E para conhecer o outro é preciso que ele “se revele”, se mostre. Cada um de nós é um mistério, e o namoro é o tempo de revelar (= tirar o véu) desse mistério. Cada um veio de uma família diferente, recebeu valores próprios dos pais, foi educado de maneira diferente e viveu experiências próprias, cultivando hábitos e valores distintos. Tudo isto vai ter que ser posto em comum, reciprocamente, para que cada um conheça a “história” do outro. Não se ama o que não se conhece.

Essa revelação deve ser autêntica, sem falsidade e sem mentiras. Seja aquilo que você é, sem disfarces e fingimentos; mostre ao outro, lentamente, a sua realidade.

A mentira destrói o relacionamento. Não tenha vergonha da sua realidade, dos seus pais, da sua casa, dos seus irmãos etc. Se o outro não aceitar a sua realidade, e deixá-lo por causa dela, fique tranquilo, essa pessoa não era para você, não o ama. Uma qualidade essencial do verdadeiro amor é aceitar a realidade do outro.

O amor pelo outro cresce à medida que você o conhece melhor

Não existe verdadeiro amor à primeira vista. Não fique cego diante do outro por causa do brilho da sua beleza, da sua posição social ou do seu dinheiro. Isso impediria você de conhecê-lo interior e verdadeiramente.

O namoro não é o tempo de viver a vida sexual; ela ainda não lhe pertence. Vocês não colocaram ainda uma aliança na mão esquerda, então, amanhã, ela poderá se casar com outro. O sexo é o selo da união matrimonial.

O amor não é o ato de um momento, mas se constrói “a cada momento”. Só o tempo poderá mostrar se um namoro deve continuar ou terminar, quando cada um poderá conhecer o interior do outro, e então, puder avaliar se há nele as exigências fundamentais que você fixou.

É no namoro que você deve conhecer profundamente o outro; isso será muito importante no casamento, quando sempre haverá momentos de crise e de problemas a serem resolvidos.

Tudo isso é importante para que o casamento seja feliz, forte, e super todas as crises.

Professor Felipe Aquino – Viúvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”; na Rádio, apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana, prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino