FIRMES NA FÉ

Esperança para além das eleições: não se deixe levar pelo desânimo

Muitos estão tristes e sofrendo com o resultado das eleições de 25 de outubro de 2026, porque o seu candidato não foi eleito, com todas as perspectivas de vitória. Os governantes são, de certa forma, a imagem de todo o povo.

A dor da decepção eleitoral e a verdadeira confiança

Para os que estão sofrendo, é pela fé que se deve enfrentar e acolher a dor, recuperar a esperança e recordar que a nossa confiança última não deve estar depositada em um político, mas em Deus. Ele não abandona a história. Nada escapa da sua Providência. Nós não somos os senhores da história e o nosso destino não depende só de nossa vontade.

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Deus nos diz pelo profeta Isaías: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os vossos caminhos não são os meus caminhos. Tanto quanto o céu está acima da terra, tanto estão os meus caminhos acima dos vossos caminhos e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos” (Isaías 55, 8-9).

Atravessar as tribulações com esperança, prudência e caridade

Onde está Deus diante das provações?

Muitos podem perguntar: “Onde estava Deus?” Nem toda derrota ou provação é sinal de abandono de Deus. As tribulações são uma forma de purificação.

Para quem viveu intensamente o período eleitoral, a derrota gera tristeza, medo do futuro, sensação de injustiça e até desânimo.

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A fé cristã não nos manda ignorar esses sentimentos, mas aprender a atravessá-los com esperança, prudência e caridade.

Não se trata de mascarar ou ignorar a tristeza e a decepção. Vale a pena lembrar o que disse São Paulo aos que sofrem: “Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram” (Romanos 12, 15).

Deus continua conduzindo a história

Por outro lado, não podemos esquecer que a fé nos garante que “Deus continua conduzindo a história” e que “Ele sabe escrever reto por linhas tortas”.

Os acontecimentos políticos mudam, os governos passam e as circunstâncias se transformam. A Providência Divina não significa que tudo acontecerá como desejamos, mas que podemos continuar buscando o bem mesmo nas situações difíceis.

É nos momentos de dor e de tristeza que temos de nos lembrar e viver o que disse São Paulo: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8, 28). Então, o cristão não se desespera, pois sabe que Deus tem o mundo em suas mãos.

Nenhum líder político ocupa o lugar de Deus

É legítimo e necessário apoiar candidatos, defender convicções e desejar que os valores cristãos sejam respeitados. Contudo, nenhum líder político pode ocupar o lugar de Deus em nosso coração. Nossa esperança cristã é maior do que qualquer eleição.

A esperança cristã não pode desmoronar por causa de um resultado eleitoral. A derrota não significa que Deus abandonou seus apoiadores.

A fidelidade cristã continua na verdade, na justiça, na defesa da dignidade humana e na perseverança no bem.

Preservar a paz, a unidade e o amor ao próximo

Rejeitar rumores e fortalecer a sabedoria

Nesta hora, é preciso não alimentar rumores e previsões catastróficas. “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria” (2 Timóteo 1,7).

Por outro lado, a política não pode destruir amizades, famílias e comunidades cristãs. Não devemos tratar como inimigos todos os que votam de maneira diferente. “Se possível, quanto depender de vós, vivei em paz com todos” (Romanos 12, 18), mesmo discordando de suas opções.

Vencer o mal com o bem

O mais importante agora, para os que estão angustiados e desanimados, é não permanecer na indignação, se fortalecer na oração e se dedicar aos bons trabalhos. “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12, 21).

Continuemos defendendo, com coragem e serenidade, os valores em que acreditamos. Não permitamos que a tristeza se transforme em ódio, que o medo destrua nossa paz ou que a divergência acabe com a caridade.

A história não termina em uma eleição. Há sempre novas oportunidades de servir, construir, corrigir e fazer o bem.

O salmista nos ensina a “entregar ao Senhor o nosso caminho e confiar nele” (Salmo 37,5). “Não permitir que o mal, a raiva ou o ressentimento nos dominem” (Romanos 12, 21).

A nossa missão não termina quando um candidato perde, assim como não começa somente quando ele vence. Ela continua.

A vitória definitiva pertence a Cristo

O testemunho de esperança de São João Paulo II

São João Paulo II deixou palavras de grande força espiritual sobre a vitória do bem sobre o mal: “A vitória definitiva pertence a Cristo, e a fé nos dá forças para perseverar no bem, mesmo quando atravessamos derrotas e provações”.

Ele falava da “vitória do bem sobre o mal, da vida sobre a morte”.

Quando os acontecimentos não correspondem às nossas expectativas, não devemos concluir que o bem foi derrotado definitivamente. O cristão continua chamado a praticar a justiça, defender a verdade e perseverar na esperança.

São João Paulo II, que viveu na pele o horror do nazismo e do comunismo, disse aos jovens um dia: “Não tenhais medo de Cristo! Não tenhais medo, porque o Senhor ressuscitado caminha conosco”.

A vitória interior e a perseverança na fé

Não podemos permitir que a decepção destrua nossa confiança em Jesus. A fé não promete que tudo acontecerá conforme desejamos; ela nos dá força para continuar caminhando. A fé e a esperança nos levam à vitória sobre o mal.

Agora, a primeira vitória é interior: vencer o ódio, o ressentimento, o medo e o desânimo. A vitória definitiva do bem pertence a Cristo!

A história da Igreja nos ensina a não perder a esperança diante das dificuldades: ela conheceu derrotas, provações e injustiças, mas a Ressurreição nos recorda que “o mal e a morte não têm a última palavra”.

Quem confia em Cristo pode atravessar as tempestades sem abandonar a esperança e pode continuar fazendo o bem mesmo quando os resultados não são os esperados.

“Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 João 5, 4). Mas a vitória cristã não significa necessariamente obter o resultado que desejamos na vida política, mas permanecer fiéis a Deus e ao bem, confiantes na vitória definitiva de Cristo. Agora, não é tempo de desespero, lamentações inúteis ou indignações; é tempo de oração e coragem para continuar.