O que Santa Hildegarda de Bingen pode nos ensinar sobre prevenção do câncer de mama?
É clichê, porém é real: o custo da prevenção ainda continua sendo bem menor do que o de tratar. Essa frase nos é bem atual, mas Santa Hildegarda de Bingen — monja alemã beneditina considerada médica de seu tempo pelo seu vasto conhecimento em naturopatia — já sabia disso desde o século XII e nos deixou em seus escritos formas naturais de cuidados com a saúde feminina.
Hildegarda e a nutrição atual
Embora o conhecimento médico de seu tempo fosse diferente da atualidade, encontramos pontos que podem ser convergentes com o conhecimento científico contemporâneo. Hildegarda trata a saúde e a cura como algo integral, deixando orientações sobre alimentação, movimento, hábitos, aspectos psicológicos e vida espiritual.

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Alimentação natural, temperança e virtudes
No que diz respeito à alimentação, em sua obra Physica, ela recomenda alimentos de origem natural e apresenta recomendações sobre cereais, vegetais, frutas, ervas e especiarias. Entre os cereais, destaca-se a espelta, alimento bastante presente em seus escritos.
Também valorizava preparações cozidas e alimentos que, segundo sua compreensão, seriam mais facilmente digeridos. Para ela, o alimento deveria ser adequado à natureza e à capacidade de cada pessoa, sem extremismos, dentro da virtude da temperança e da moderação, pois insistia que as enfermidades surgiram da degradação da natureza; o mal vem do demônio e da separação com Deus. Por isso, o cultivo de virtudes é parte primordial de sua obra — o que não exime alguém de uma doença, mas afirma ser menos traumático para quem passa por ela com boa saúde espiritual.
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O papel do movimento e da atividade física
Outro ponto importante é o movimento: na época, caminhadas matinais e após as refeições podiam contribuir para uma melhor resposta glicêmica, enquanto a prática regular de atividade física está relacionada à redução do risco de diversos tipos de câncer. O INCA (Instituto Nacional de Câncer) recomenda que a atividade física faça parte da rotina diária como uma das medidas de prevenção e controle do câncer.
Prevenir é diferente de rastrear
A prevenção passa por diminuir fatores já conhecidos, como obesidade, alimentação inadequada (rica em carboidratos refinados, processados e ultraprocessados), sedentarismo, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
Já o rastreamento requer exames periódicos e direcionados, pelo menos a cada 2 anos, para mulheres a partir dos 50 anos ou para mulheres mais jovens que tenham maior risco genético.
Um convite ao essencial
O que Hildegarda nos traz é um convite a voltar ao essencial: olhar para a saúde antes que a doença se instale, comer para se nutrir — não acreditando que ervas ou algumas práticas sejam capazes de impedir o câncer —, orar sabendo que tudo depende da vontade de Deus, mas saber conscientemente que estamos fazendo a nossa parte.







