Essa é uma pergunta que muita gente se faz hoje. Afinal, morar junto antes do casamento se tornou algo tão comum que, muitas vezes, nem paramos mais para pensar sobre isso. Mas será que aquilo que se tornou comum é, necessariamente, aquilo que corresponde à verdade sobre o ser humano? Será que é esse o jeito que Deus pensou para nós, que fomos criados para amar e ser amados? Por que se casar na Igreja?
É sobre isso que precisamos parar um pouco e refletir.

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O matrimônio está no plano de Deus
Quando falamos de casamento na Igreja, precisamos começar por aqui: o matrimônio não foi uma invenção da Igreja. Ele está no plano de Deus desde o princípio.
Deus criou o homem e a mulher para a comunhão, para o amor, para a entrega de um ao outro e também para a geração e educação dos filhos. O Catecismo nos ensina que a união matrimonial está ordenada “por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole” e que, entre os batizados, foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento (CIC, n. 1601).
Então, quando um homem e uma mulher decidem se casar, eles não estão simplesmente assumindo um compromisso pessoal entre os dois. Eles estão dizendo sim a uma realidade que Deus pensou, desde o princípio da criação, e desejou para o homem, para a mulher e para a família.
É por isso que precisamos compreender o que é o matrimônio. Não se trata apenas de morar juntos, dividir a vida, as contas, a casa, os projetos. Existe algo muito maior acontecendo quando um homem e uma mulher fazem uma aliança de vida.
O matrimônio é um sacramento: Deus entra na história do casal
E aqui está uma segunda coisa muito importante: casar na Igreja não é apenas receber uma bênção ou fazer uma bonita celebração. O matrimônio é um sacramento.
Diferente de uma bênção, que é dada sobre uma pessoa, uma realidade ou uma situação, o sacramento é outra coisa. É uma ação de Deus na vida dos homens, pela qual Ele comunica de forma real e concreta a sua própria vida e a sua graça. Isso significa que Deus não está apenas sendo convidado para assistir ao casamento. Ele entra na vida daquele casal e lhes dá a graça necessária para viver a vocação que receberam.
O Catecismo nos diz que o sacramento do matrimônio significa a união de Cristo e da Igreja e concede aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja (cf. CIC, n. 1661).
Olha que bonito isso!
Porque, se dependesse somente das nossas forças, nós sabemos que, muitas vezes, não conseguiríamos amar assim. Há dias em que é fácil amar, mas há também dias de cansaço, de diferenças, de frustrações, de feridas e desencontros. Por isso o casal não está sozinho. Deus oferece a Sua graça para que marido e mulher possam aprender, todos os dias, a amar de verdade, a perdoar, a recomeçar e a permanecer fiéis.
Casar na Igreja é tornar público o “sim”
Existe ainda uma outra dimensão muito bonita: o casamento cristão não é apenas uma decisão particular do casal. Ele é um “sim” assumido publicamente diante de Deus e da Igreja.
Por que isso é importante?
Porque o amor verdadeiro não tem medo de assumir compromisso. Quando eu digo publicamente “sim” a você, estou dizendo: eu escolho você, assumo esta aliança e quero caminhar com você.
A própria Igreja ensina que, por ser uma realidade pública, o matrimônio precisa também de uma celebração pública. O casamento introduz o casal em uma nova realidade dentro da Igreja, com direitos e deveres, e o caráter público desse compromisso ajuda a proteger e fortalecer a fidelidade dos esposos (cf. CIC, n. 1631).
Por isso, casar na Igreja não é simplesmente “fazer uma cerimônia”. É assumir, diante de Deus e dos outros, aquilo que estou escolhendo viver. É dizer: “Eu não quero apenas viver com você. Eu quero fazer uma aliança com você.”
Casar na Igreja é aprender a amar como Cristo
E talvez aqui esteja uma das coisas mais bonitas do matrimônio cristão.
Quando um homem e uma mulher se casam na Igreja, eles não estão dizendo apenas: “Nós nos amamos”. Eles estão dizendo também: “Nós queremos aprender a amar como Cristo ama.”
São Paulo diz aos esposos: “Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja” (Ef 5,25).
E aqui nós percebemos que o matrimônio é muito mais do que sentimento. Amar como Cristo amou significa aprender a sair de si, a se entregar, a cuidar, a perdoar, a permanecer, a buscar o bem do outro. É um amor que vai amadurecendo com o tempo. E ninguém consegue viver isso apenas com as próprias forças.
Por isso o sacramento é tão importante: Deus dá ao casal a graça para que, pouco a pouco, eles aprendam a amar não somente do jeito que conseguem, mas do jeito que Deus os chama a amar.
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Casar na Igreja é contar com a graça de Deus
Jesus diz no Evangelho: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Essa palavra também vale para o matrimônio. Quando o casal se casa na Igreja, não está dizendo: “Nós vamos conseguir dar conta de tudo sozinhos”. Pelo contrário. Está reconhecendo: “Nós precisamos de Deus.”
É como se o casal dissesse: “Senhor, nós queremos viver esta vocação, mas sabemos que somos limitados. Precisamos da tua graça para amar, para permanecer fiéis, para atravessar as dificuldades, para perdoar e para recomeçar.”
Por isso, casar na Igreja não é simplesmente colocar Deus no meio do casal. É reconhecer que, para viver plenamente aquilo que Deus sonhou para o matrimônio, o casal precisa da presença e da graça de Deus.
E talvez seja justamente isso que precisamos redescobrir: O matrimônio não é apenas uma vida a dois. É uma vocação a ser vivida com Deus.
Fonte: Catecismo da Igreja Católica
Ivana Brandão
Natural de Jequié/BA, casada e membro da Comunidade Canção Nova desde 1996 no modo de compromisso do Núcleo.




