Paciência é um fruto do Espírito Santo que ensina a forma eficaz de se aproximar da Cruz
A nossa reflexão de hoje nos levará a dois frutos do Espírito Santo, que são muito necessários para a nossa vida cotidiana, diante das nossas batalhas, sacrifícios e lutas. Para aprofundarmos no fruto do Espírito Santo, gostaria de trazer aqui um trecho da carta de São Paulo aos Coríntios, que apresenta com profundidade o caminho da conquista da paciência, que produz em nós a virtude teologal da esperança.

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“…mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência; a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.”
Aqui temos um ponto de partida para a compreensão da graça da paciência em nós: a tribulação. Poderíamos até nos questionar: para obter esse fruto, é preciso sofrer? Não é bem isso que a Palavra nos diz. Ela nos revela que nos gloriamos até das tribulações. Aqui, Paulo nos mostra “como” devemos nos comportar diante das adversidades. Quando vêm as tribulações, temos dois caminhos a seguir: louvar a Deus pelo que estamos passando ou murmurar e nos maldizer diante dessa luta.
Agindo pelo segundo caminho, a consequência será negativa, porque a murmuração envenena a nossa alma. A partir dela, não conseguimos mais enxergar o positivo: nada presta, tudo vai mal, ninguém é bom, nem nós mesmos. Em outras palavras, a murmuração é um louvor ao negativo, ao mal e ao nosso ego ferido, pois muitas vezes reclamamos porque algo não saiu como gostaríamos.
Já o primeiro caminho é uma prevenção ao segundo
Sabendo que posso murmurar ou perder a confiança no Senhor diante de uma tribulação, escolho o louvor: agradecer a Deus pelas lutas enfrentadas. Muitas vezes, essas tribulações perduram, e não podemos ignorá-las; precisamos enfrentá-las com bom humor, oração e confiança em Deus. Esse processo vai gerando em nós, portanto, a paciência, que nos permite passar por esses momentos difíceis com serenidade.
A paciência prova a fidelidade, porque possuir em nós esse fruto, dado pelo Espírito de Deus, nos faz permanecer firmes na vontade do Senhor. Ela gera em nós a capacidade de manter a calma diante das contrariedades e a tolerância perante os erros. É uma virtude que envolve perseverança, resiliência e resignação diante de situações indesejadas, levando-nos a agir com tranquilidade, sem desistir facilmente.
A fidelidade comprovada gera esperança. Depois desse percurso vivido durante a tribulação, experimentamos a virtude da esperança. Tornamo-nos resilientes diante das dificuldades, porque cremos e esperamos que a ação da providência divina em nosso favor não nos será tirada; ao contrário, sabemos que ela agirá, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações quando fomos batizados, e Ele mesmo infundiu em nós o seu Espírito Santo, cumprindo a promessa de permanecer conosco até o fim dos tempos. Portanto, a tribulação, para nós cristãos, deveria ser uma grande oportunidade de servir a Deus com fidelidade.
No parágrafo anterior, surgiu a palavra resiliência, que é a capacidade de recuperar-se e adaptar-se depois de situações difíceis. Posso citar um exemplo para ficar mais claro: o bambu ou o eucalipto, depois de uma grande tempestade com rajadas de vento, muitas vezes ficam dobrados, com a copa quase no chão; porém, não estão rompidos e, quando vem o sol, voltam à sua posição, de pé. Mas os que não conseguem se reerguer não morrem: adaptam-se àquela condição e continuam a dar frutos. Assim também deveria acontecer comigo e com você diante das tempestades: podemos até nos dobrar, mas jamais nos deixarmos quebrar. E, quando o Sol da Justiça, que é Cristo, aparecer, estaremos ali com nossos frutos.
E onde fica a paz em todo esse contexto?
A paz está justamente no discernimento de qual caminho eu vou seguir: o da murmuração ou o do louvor. Somente uma alma que experimenta o dom da paz é capaz, auxiliada pela graça divina do Espírito Santo, de escolher o que é bom para si mesma. Por isso, ela vem junto neste texto com a paciência, porque, na tribulação, para ter paciência é preciso acalmar o espírito, ou seja, agir em paz.
Existe ainda uma definição de paciência: é a “ciência de viver em paz”, aceitar que nem tudo está sob o nosso controle, viver entendendo que algumas coisas que acontecem são simplesmente a vida acontecendo, e nada mais. Em suma, a paciência não é passividade ou cruzar os braços, mas sim uma “ação tranquila”, ou seja, uma ação em paz e perseverante.
Neste Pentecostes que se aproxima, peça ao Senhor que envie sobre você a graça da paz, da harmonia e, mesmo diante das tribulações, a capacidade de louvar, crendo que a nossa esperança está no Senhor, pois o seu amor foi derramado em nossos corações.
Deus abençoe!
Leonardo Vieira– Natural de Itaporanga/PB. Missionário da Comunidade Canção Nova, desde 2017 no modo de compromisso do Núcleo.
Instagram: @leocancaonova




