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Com Maria, aprendemos a confiar

O desapego como caminho para a verdadeira confiança

Confesso que falar sobre confiança não é algo tão simples para mim. Eu sou ainda a ‘grande medrosa’ (1). Mas aqui nós estamos na escola de Maria aprendendo, dela, a confiar, o que me deixa mais à vontade, mais confiante para tentar discorrer algumas palavras sobre confiança e, especialmente, sobre a confiança de Maria.

Essa semana, eu ouvi uma história, e, aqui na Terra Santa, conta-se muitas histórias interessantes para além daquelas narradas nos Evangelhos. Essa, certamente, é uma delas, pois diz que Nossa Senhora, antes de ficar grávida pela ação do Espírito Santo, diferente das meninas e mulheres de sua época que desejavam ser a mãe do Messias, dizia apenas em suas orações: “Eu sou muito pequena para ser mãe do Messias, mas ficaria contente em ser a serva, escrava daquela a quem o Senhor escolher para ser a sua Mãe”.

Créditos: Arquivo CN.

E essa história para mim já fala muito sobre como era a confiança de Nossa Senhora. Podemos perceber que a Virgem não improvisou a sua resposta ao anjo, já era a sua oração. Contudo, a resposta da Virgem e essa história revela outro aspecto muito importante, ela não era apegada a absolutamente nada.

Podemos perceber que confiança e apego são características que estão intimamente ligadas. Quanto mais desapegado nós formos, mais confiantes seremos em todos os aspectos. E a vida dos santos é, sem dúvida, uma prova disso.

A exemplo dos santos: São José e São Francisco

Houve algum santo na história que confiou mais do que São José? Mas antes de confiar, ele precisou desapegar-se de tudo: sonhos, planos, projetos etc. Outro grande santo, exemplo de confiança, é São Francisco, cuja morte este ano celebrara 800 anos. Ele se despojou de absolutamente tudo, a ponto de ficar nu diante de todos, e o Bispo ter que cobri-lo com sua capa. E como esses dois, tantos outros.

Ouso dizer que desapego e despojamento são pré-requisitos para o seguimento, e, por consequência, para a confiança. À medida que vamos soltando, liberando os nossos apegos, vamos nos tornando mais livres e disponíveis; consequentemente, confiantes, o seguimento se torna mais leve, mais fluido, mais autêntico.

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Humildade: a chave para aceitar o Plano de Deus

Bem, já deu pra termos um norte sobre como era a confiança da Virgem Maria. E o quanto, por outro lado, confiança e humildade estão igualmente ligados. Só o humilde, verdadeiramente humilde, é capaz de abrir mão de suas convicções para aderir ao plano de um terceiro sem deixar de ser autêntico. O humilde, verdadeiramente humilde, abre mão até de sua maneira de pensar sobre si mesmo, para então pensar a partir do outro.

A Virgem sabia que era pequena, tanto que dizia para o Senhor: “Eu não sou digna de ser a mãe, mas ficaria feliz em ser a escrava”. Essa verdade não mudou, mas ela aceitou ser aquilo que Deus estava lhe pedindo, colocando-se agora como escrava do Senhor. Percebe a sutileza e, por outro lado, a magnanimidade da sua resposta a Deus? Ela compreende que não precisa assumir outro posto, fazendo-se escrava daquele que “pedia a sua ajuda” e entregando-se confiante em suas mãos.

Sendo assim, para aprendermos a confiar como a Virgem Maria, é necessário antes desapegar-se de tudo o que nos impede de seguir o plano de Deus livremente. E aqui temos uma chave de leitura para nossa vida.

Sim, eu disse no início do texto, que sou “a grande medrosa”, pois se falta confiança, certamente está sobrando apegos e faltando humildade. E podemos começar a nossa lição na escola de Maria nos perguntando: A que estou apegada? O que me impede de avançar na confiança? Pode-se dizer de mim que sou humilde? Olhemos para a Virgem Maria como modelo mais excelente de confiança, e para nós mesmos com misericórdia e humildade para começar ou recomeçar a nossa história de confiança.

Deus abençoe essa nossa nova lição de confiança.

Referências
Livro ‘Pés como os da corça nos lugares altos’.


Carla Picolotto

Carla Picolotto é natural de São José das Missões (RS). Membro da Canção Nova desde 2009, Carla passou pelas missões de Lavrinhas (SP), Cachoeira Paulista (SP), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE),  Queluz (SP) e São José dos Campos (SP). Atualmente, está na missão da Terra Santa.