Amigos

Cultive suas amizades verdadeiras

As amizades verdadeiras produzem um amor que vem da alma

“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre” (Cecília Meireles). As pessoas que nos marcam para sempre chamamos de amigos.

Cultive suas amizades verdadeirasO que você acha de visitar um parque de diversões sozinho? Você vai gritar na montanha russa e não terá ninguém para gritar com você. Vai rir no trem fantasma e não haverá outro riso junto ao seu. Imagine-se sempre sozinho. Os passeios são agradáveis, os lugares são bons e as coisas são boas, porque há pessoas conosco. O bom não é o lugar, mas a companhia dessas pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre.

Lendo alguns textos sobre amizade, deparei-me com o convite acima e fiquei imaginando todos os lugares que vou sem a companhia de alguém. Seja qual for a circunstância, tudo se tornará mais leve se estivermos bem acompanhados, amorosamente acolhidos por um amigo ou por alguém que ocupa uma função importante em nossa vida e conseguiu estabelecer amizade conosco.

O mundo está tão veloz que o novo formato de amizade não espera, não perdoa, não insiste, não aprende, não ensina e não entende que a verdadeira amizade é a esperança dos tempos atuais. A tecnologia avança nos mais diversos setores, mas tem trazido várias consequências. Escreve o Papa Francisco, na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho‘, pag. 47, “que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências: aumentam algumas doenças, o medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas, a alegria de viver frequentemente se desvanece. Crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente. É preciso lutar para viver”.

É justamente em meio a essas consequências que os verdadeiros amigos precisam ocupar um espaço em nossa vida, pois eles nos devolvem a alegria mesmo em tempo ruim. Passar pela tempestade acompanhado de pessoas que querem estar em nossa companhia é muito bom!

A vida que a cultura atual impõe não nos reserva tempo para fortalecer vínculos nem amadurecer as amizades. Tem-se feito amigo da noite para o dia sem nenhuma profundidade de relacionamento. O modelo das relações líquidas nos envolveu a tal ponto, que convivemos com a ideia de que todos se amam, todos são amigos e ninguém se conhece. Por isso é tão importante que os amigos se visitem, compreendam-se, aprendam a suportar seus bicos, seus erros e a se perdoar.

Arriscar-se por um amigo é sentir-se comprometido com a amizade, é sentir necessidade de sair de casa para visitá-lo e levar-lhe rosas. As pessoas estão ficando em casa, de portas e janelas fechadas, porque não cultivam suas amizades, não recebem mais visitas. Os amigos passaram. Que tristeza! Vivem de lembranças. E parece que a ausência de um ombro amigo está acontecendo em todas as esferas, quer seja familiar, religiosa, profissional ou social. Ops! Estamos falando de nós mesmos? O que está nos faltando para termos e sermos bons amigos?

Antigamente, fim de tarde, sol se pondo, era comum ver os pais sentados à porta de casa esperando seus amigos voltarem do trabalho. Eles visitavam seus compadres e levavam seus filhos para pedir a bênção a eles. Caso adoecesse algum amigo, eles eram os primeiros a chegar para socorrê-los. E hoje? Será que nos faltam esses bons modelos? A Palavra de Deus nos apresenta uma amizade que nos motiva a sair de nós mesmos e fazer o movimento de lutar por ela. A Palavra descreve a relação de Jônatas e Davi como um grande exemplo de amizade, que nasceu de um momento de angústia.

:: Amizade é característica dos santos, ensina Bento XVI
:: A importância dos laços de amizade
:: Na vida precisamos de amigos

A alma de Jônatas, conta a Escritura, ligou-se à alma de Davi, porque precisava fortalecê-lo nos momentos de angústia e solidão. Então, Jônatas despiu-se de suas vestes reais, na presença de Davi, manifestando a mais profunda amizade por ele. Atitude bem semelhante à de Cristo. Por amor à humanidade, permitiu que Suas vestes fossem rasgadas e que Sua carne fosse cravada. Cristo se aliançou com a humanidade nesse momento. Ele fez uma aliança de amor para salvar o Seu povo. Jesus nos chama de amigos: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15,15). Jônatas se aliançou com Davi por amor, o qual  já trazia consigo um comportamento dócil para fazer amizade, por ser um homem gentil e por fazer amigos facilmente. Até quando estava na caverna, conseguiu fazer amigos.

Concorda a Palavra, no Livro de 1 Samuel 16,18b, que a amizade feita por Davi, na caverna, fez com que ele se sentisse apoiado diante de homens de sua confiança. Contudo, nenhum deles tinha o amor e a fidelidade igual a de Jônatas.

Jônatas não deixou que o ódio e a inveja de seu pai o contaminassem. Ele usou do discernimento para ser amigo de um rei. Agradar ao Senhor, nessas circunstâncias, seria conservar, da melhor forma possível, a sua amizade com Davi. Portanto, a amizade entre eles era autorizada por Deus. Queria o Senhor que eles fossem amigos, e Jônatas e Davi fizeram uma aliança.

Em I Sm 18,4, “Jônatas despojou-se da capa que trazia sobre si e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, o seu arco, o seu cinto, o seu título”. Do cansaço de Jônatas descansou Davi.

Considera-se que nenhuma amizade seja tão marcante na Bíblia quanto a cumplicidade de Jônatas e Davi, a qual, ainda hoje, é criticada pela sociedade moderna. Compreende-se essa deturpação pela baixa frequência de relacionamentos fiéis de confiança e de amor entre pessoas do mesmo sexo. Amigos que produzem um amor que vem da alma. Nem os pais amam mais assim, nem os filhos nem os irmãos. A competição e a indiferença tomou conta das relações. A profundidade do vínculo estabelecido foi fortalecido por conta do agir de Jônatas no mundo de Davi. Este, por sua vez, modificou-se pelas consequências das ações do amigo. Jônatas o protegeu da morte; não cedeu aos caprichos e vaidades do seu próprio pai, o Rei Saul; renunciou à possibilidade de conquistar o maior título daquela época, viveu as consequências de ter se tornado o escolhido por Deus para ser amigo de Davi. Tanto este quanto Jônatas agiram sobre o mundo um do outro provocando as mudanças necessárias para a realização dos propósitos do Senhor. Os dois quiseram que a amizade que os unia se prolongasse e fosse verdadeira.

Hoje, as amizades começam, mas não duram. É necessário estar disposto a pagar um preço por uma amizade, principalmente se ela traz sinais do consentimento de Deus para sua existência. É importante sentir-se apto a cultivar uma amizade e a fraternidade com alguém merecedor do seu amor e da sua confiança. Davi reconheceu o valor do amor de Jônatas por ele. Diz a Palavra que quando este morreu, Davi lamentou a sua partida. Precisamos lamentar a partida de um grande amigo e se alegrar com sua chegada.

Deus abençoe os nossos amigos! Que possamos amar como Jônatas e sermos dóceis como Davi para atrairmos bons amigos.


Judinara Braz

Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing.
Psicóloga especializada em Análise do Comportamento.
Autora do Livro “Sala de Aula, a vida como ela é.”
Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

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