O que é namorar?

Como é possível amadurecer o relacionamento durante o namoro?

O namoro é tempo de autoconhecimento entre o casal

Hoje, a liberdade é enorme quando se fala sobre namoro, o que, aliás, torna-se ocasião para muitos desvirtuamentos. Coisas que para a geração anterior era impensável, hoje, tornou-se tão comum entre os jovens. Por exemplo: viajar juntos sem os pais, dormirem na mesma casa etc. Se por um lado essa liberação pode até facilitar a maturidade dos jovens namorados, não há como negar que é uma oportunidade imensa para que o relacionamento deles ultrapasse os limites de namorados e precipite a vida sexual.

Lamentavelmente, tornou-se comum entre os casais de namorados a vida sexual, inadequada nessa fase. O namoro, como já mostramos, é o tempo de conhecer o outro, escolher o parceiro com quem a vida será vivida até a morte e o tempo de crescimento a dois. Tudo isso será vivido por meio de um diálogo rico dos dois, pelo qual cada um vai se revelando ao outro, trocando as suas experiências e riquezas interiores, e assim, começa a construção recíproca de cada um, o que continuará após o casamento.

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

O que é o tempo de namoro?

O namoro é, acima de tudo, o encontro de duas pessoas capazes de pensar, refletir, cantar, sonhar, sorrir e chorar. O mar é belo e imenso, mas não sabe disso; a terra é bela e rica, mas não sabe disso; o pássaro é belo e não sabe disso. Você é bela, inteligente, livre, dotada de vontade e de consciência, e você sabe disso. Você não é um objeto, mas sim uma pessoa, um ser espiritual e psíquico.

O namoro implica no reconhecimento da pessoa do outro, na sua aceitação e comunicação com ela. É diferente conhecer uma pessoa e conhecer um objeto.

O objeto é frio, a pessoa é um mistério, não pode ser entendida só pela inteligência, pois a sua realidade interior é muito mais rica do que a ideia que fazemos dela pelas aparências. Você só pode conhecer a pessoa pelo coração e pela revelação que ela faz de si mesma a você. No objeto vale a quantidade, o peso, o tamanho, a forma, o gosto; na pessoa, vale a qualidade. O objeto é um problema a ser resolvido, a pessoa é um mistério a ser revelado e compreendido. Saiba que você está diante de uma pessoa que é única, insubstituível, original e distinta de todos os outros.

Alguém já disse que cada pessoa é uma palavra de Deus que não se repete? Não fomos feitos numa fôrma. No namoro, você terá que respeitar essa individualidade do outro para não o sufocar. Muitas crises surgem, porque ambos não se respeitam como pessoas e únicas. É por isso que as comparações e os padrões rígidos podem ser prejudiciais. Você não pode querer que sua namorada seja igual àquela moça que você conhece e admira; o seu namorado não tem que ser igual ao seu pai. Cada um é um.

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Existe liberdade no namoro?

A liberdade é uma condição essencial da pessoa. Sem liberdade não há pessoa. É no encontro com o outro que a pessoa se realiza; e aqui é que está a beleza do namoro vivido corretamente. Ele leva você a abrir-se ao outro. A partir daí, você deixa de ser criança e começa a tornar-se adulto, porque já não olha só para si mesmo.

O namoro é esse tempo bonito de intercomunicação entre duas almas, mas toda revelação implica num comprometimento de ambos e num engajamento de vidas. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse o Pequeno Príncipe. Você se torna responsável por aquele que se revela a você do mais íntimo do seu ser. Cuidado, portanto, para não coisificar a sua namorada. Às vezes, a coisificação do outro se torna até meio inconsciente. Ela acontece, por exemplo, quando o noivo proíbe a noiva de usar batom ou a proíbe de cortar os cabelos.

O marido coisifica a esposa quando a obriga a ter uma relação sexual com ele, quando não a permite participar das suas decisões financeiras; quando a proíbe de ter alguma atividade na Igreja etc. O namorado coisifica a namorada quando faz chantagens emocionais com ela para conseguir o que quer. A namorada coisifica o namorado quando o sufoca, fazendo-o ficar o tempo todo ao lado dela, sem que o rapaz possa fazer outros programas com os amigos. O pai coisifica o filho quando o submete a si com se fosse um escravo. Não faça do outro um objeto, e não deixe que o relacionamento de vocês se torne uma dominação do outro, mas um encontro entre ambos.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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