Como superar a ilusão da perfeição para viver relacionamentos saudáveis
O que deixamos nas pessoas quando passamos por suas vidas? No que marcamos aquele que conosco fez a experiência de conviver? É certo que deixamos um pedaço de nós em cada pessoa que passa por nossa história, e que marcamos o outro pelo positivo ou negativo.

Crédito: Delmaine Donson by Getty Images.
A vida vai acontecendo e não espera ninguém, diante disso, é preciso ter os pés no chão. Reflita: o pior inimigo do real é o ideal, ou seja, é aquela ideia de perfeição utópica que só existe mesmo no mundo das ideias, mas não toca nossa realidade.
Pena que muitas pessoas perdem um tempo precioso buscando o amigo perfeito, o relacionamento perfeito, a pessoa perfeita e deixam de viver o agora, valorizando o que se tem e amando as pessoas que Deus lhe confiou no hoje.
Paciência e perseverança para descobrimos a preciosidade contida no coração humano
O pior é que, por vezes, as pessoas que temos conosco não são aquilo que quereríamos, não são o que idealizamos, e por isso não lhes damos o valor que merecem. Saiba que cada pessoa que passa por sua vida é um “recado ambulante de Deus” para você, e que, por meio delas, Deus quer falar a você.
Somos muito superficiais, compramos o produto pela embalagem e não pelo que ele é em si. É como a ostra: dentro dela se encontra uma pérola preciosa, mas para se chegar a ela é preciso superar o desencanto causado pelo casco, o qual, na maioria das vezes, está sujo e cheio de lodo, e quebrá-lo definitivamente.
Toda pessoa é um dom precioso, porém, inúmeras vezes elas se encontram aprisionadas dentro de seus supostos cascos existenciais. Por isso é necessário ter paciência e perseverança para removermos “o casco” e para descobrirmos a preciosidade contida no coração humano.
Não podemos querer pessoas prontas, nunca vamos encontrar alguém que se encaixe totalmente em nossos padrões. As pessoas precisam respirar, e não podemos violentá-las naquilo que elas são, na verdade própria de cada uma.
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Abrace o real, aquilo que você tem, o seu possível
Existem inúmeras pessoas que são obrigadas a ser superficiais, condicionadas pela hipocrisia de alguns que sempre exigem que elas sejam o que eles querem.
Até quando seremos julgados, sem direito de defesa por não sermos aquilo que outros querem, por não darmos o sorriso que querem e do jeito que desejam! Principalmente, o cristão precisa adquirir essa independência interior de ter a coragem de ser aquilo que é, sem superficialidade, e de permitir que outros toquem sua verdade também.
Pessoas são pessoas, e não robôs que podemos manipular. Pode ser que para você o outro não esteja fazendo o que é correto, mas para Deus ele está. E aí Deus vê o coração, e a intenção de cada um. Ele não para na “embalagem”. (…)
Não somos os donos da razão, logo, precisamos respeitar o sacrário inviolável que é o coração humano. Portanto, tomo a liberdade de sugerir-te: não exija o ideal, nem idealize o irreal. Abrace o real, o que você tem, o seu possível.
O tempo está passando, e já é hora de imprimir o bem que existe em você no coração alheio. Não se engane, pois é esse mesmo que está com você. Ele é o presente, a pérola de Deus para você. Tenha a coragem de descobri-lo, respeitando com ternura e paciência o que ele é, pois o amor e a misericórdia são os elementos necessários para transformação da matéria humana, e somente através destes a imperfeição pode vir a ser virtude.
Este é um tempo novo, tempo de acolher o diferente (…)
Padre Adriano Zandoná
Missionário da Comunidade Canção Nova.
Formado em Filosofia e Teologia.





