Carpe diem

“Carpe diem” expressão latina das primeiras palavras de um verso do poeta romano Horácio em: Odes, Livro I. 11,8. Este verso é completado por “nec minimum crédula postero”, que significa “Confie o menos possível no dia de amanhã”! Advertência dirigida de tempos em tempos, sobretudo nos de crise da esperança e do futuro, torna-se bandeira, sentido de vida mesmo, para gerações inteiras. Os horizontes se encurtam e, só sobrando o presente, não resta senão sugá-lo com sofreguidão e tédio” (O pão nosso de cada dia, novembro 2007, pg 108).

A expressão “Carpe diem”, hoje usada em carros e adesivos colocados em lugares públicos, resume a mentalidade dos aproveitadores, dos que só acreditam nesta vida e não vêem perspectiva de vida futura com dignidade e soberania. O “aproveite, curta, desfrute,…confie o menos possível no dia de amanh㔠significa olhar a realidade pessoal e social perdendo todos os horizontes da vida, significa não ter ideais para lutar, não ter gosto pelo trabalho, significa não acreditar em si mesmo, não esperar o momento seguinte na dinâmica de vivê-lo melhor, significa colocar todas as esperanças no ar do momentâneo, do fazer por fazer.

Infelizmente, os resultados desta ideologia têm causado graves danos pessoais, dores e sofrimentos incalculáveis, como perda do gosto de viver, levando ao sentimento do tanto faz matar ou morrer. Os valores da vida pessoal e dos outros não passam de falsidade ou imposições. Vale o que penso e o que decido, o “eu” acaba sendo a razão última, a verdade absoluta, sou um pequeno deus cujo altar é o efêmero desfrutar e curtir. As gerações se sucedem com grandes avanços em todas as áreas da vida humana e social. Como não avançar na vivência do dia a dia, construindo no agora com esperança de um amanhã melhor, mais feliz e realizado? Qual o sentido da vida quando tudo termina aqui?

O ser humano precisa aprender a superar as crises, enfrentar os obstáculos, refazer a esperança de um futuro que não depende de nós, restabelecendo em cada momento presente o gosto de viver e viver cada vez melhor, visando o bem comum de todos. A paz interior, a tranqüilidade de consciência, a felicidade que tanto buscamos, nasce de um coração que teme a Deus e coloca n’Ele a sua esperança. A busca incansável de Deus está na natureza do ser humano, a sede do transcendente leva o coração humano a buscá-Lo sem tréguas. Como afirma Santo Agostinho: “O meu coração anda inquieto enquanto em ti não repousar”.

Superar as crises, de maneira especial a crise do sentido da vida, significa começar acreditando em si mesmo, no outro e no totalmente Outro. Sem a dimensão da fé no sobrenatural e na vida eterna, o ser humano vira bicho, e na maioria das vezes, bicho feio. Aproveitar, curtir, desfrutar da vida faz bem a qualquer um de nós desde que saibamos em quem depositamos a nossa esperança. Confie em você e naquele que O criou e viverá o amanhã melhor do que hoje. Na síntese evangélica, Jesus resume toda a lei no amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos. Por isso, quem não ama, não vive, porque o amor vem de Deus e o nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos. Mortos porque não descobriram a capacidade de amar e ser amados (cf. Lc 20,38).

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