O que faço ao ser contestado?

Facilmente percebe-se a maturidade, a segurança e a autoconfiança de alguém quando ele é questionado. Há um provérbio que diz o seguinte: “Quer conhecer uma pessoa, dá-lhe poder!”

Em minhas observações sobre os relacionamentos humanos, sugiro: “Quer conhecer uma pessoa em sua consistência e segurança, observe sua reação ao ser questionada ou ao se confrontar com alguém que diverge de seus conceitos pré-estabelecidos”. Tal fato pode ocorrer em todos os níveis de relacionamento, tais como, entre colegas de equipe ou em relações hierárquicas. Quando surge um subordinado que ousa questionar ou discordar dos projetos ou idéias de um chefe inseguro, ele pode ter por parte dessa pessoa uma reação agressiva. Além de não ser bem acolhido, pode ser definido e considerado como um opositor, “persona non grata”, uma pedra que precisa ser removida do caminho ou até como um inimigo ou traidor por ter idéias que não se encaixam com as do seu superior. O questionador se dá conta de que, embora tivesse a melhor das intenções, já que estava apenas tentando colaborar com idéias diferentes, seu questionamento não é bem-vindo.

Percebe que, como resultado de seu atrevimento de “questionar” o chefe, está agora sendo discriminado ou “gelado” por este, afinal, quem o autorizou a ser tão atrevido em discordar do chefinho? Para que esse fato não acabe em discórdia, discriminação ou até demissão, o melhor a fazer é não ousar a discordar ou questionar novamente o chefe!

A partir dessa atitude de desistência dos subordinados o “todo-poderoso” sente-se vitorioso e feliz. Agora sim, está tudo bem; os obstáculos são coisas do passado! Percebeu que a estratégia de usar a força do cargo, impedindo que os “pequeninos” se metam em assuntos do chefe, funciona mesmo! Daí em diante o rolo não pára. Pão gostoso é aquele que é bem sovado… quanto mais força se usa, mais macio ele fica!

Até quando?

O que ocorre é que, agindo dessa forma, o detentor do poder não terá paz interior e muito menos conseguirá, a longo prazo, atrair colaboradores que se associem aos seus projetos. O jeito será ir se acostumando a trabalhar e a “carregar o piano sozinho” porque são raros os que se dispõem a se juntar a quem habitualmente age desta forma. Além de não contar com os colaboradores, seus empregados e ajudantes o “servem” mais como a um senhor e não como um amigo, companheiro ou até pai. Muitos dos que estão ao seu redor, só ali permanecem por não terem outra opção. Mas até quando?
Quem não se deixa questionar pelos outros, é firme como areia e acabará na solidão. Quando perder o poder, antes já terá perdido os seus colaboradores.

Quem é frágil não pode sofrer nenhum esbarrão. Quem não aceita novas idéias, deve viver de aparências e, muitas vezes, da mentira. Pode até se impor e se manter no cargo por um certo tempo. Mas não terá paz nem legitimidade.

Quem utiliza o poder para dominar os outros, um dia não terá mais energia para tal, então a corda arrebentará e não deixará saudades. Livres do opressor, como pássaros, voarão para outros campos e o antigo “senhor” terá como única companhia a solidão.

Auto-análise

Quantas vezes tenho analisado minhas próprias atitudes e reações e percebido que também ajo assim!… Por isso, essa reflexão serve, em primeiro lugar, para mim mesmo. Melhor perceber agora do que lamentar mais tarde. Oxalá você também possa refletir e analisar as suas atitudes. Todos nós temos pessoas que estão, hierarquicamente, acima e abaixo de nós. Quantos destas já nos questionaram e não têm mais coragem de fazê-lo, porque não acolhemos suas opiniões e questionamentos! Portanto, minha proposta é que sejamos honestos com nós mesmos.

Analisemos nossas atitudes e reações ao sermos questionados ou quando os outros discordam frontalmente de nossas posições. Elas vão mostrar nossa firmeza, segurança e autoconfiança ou se estamos construindo sobre a areia. Cedo ou tarde será inevitável que a verdade apareça. Antecipemo-nos ao futuro!

Assim, deixo a seguinte pergunta: elimino e continuo senhor da razão ou acolho o diferente e “faço do limão – com o azedume que sinto ao ser questionado – uma limonada?”

Pelo fruto se conhece a árvore, disse Jesus. Pela minha reação perceberei quem sou e a quantas anda a minha consistência interior.

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