Dia de todos os santos

Por que a Igreja tem tantos santos?

No calendário, todos os dias a Igreja celebra a memória de vários santos. E, consciente de que  há muitos mais santos do que aqueles reconhecidos universalmente, no dia 1º de novembro, ou no domingo seguinte, celebra-se a “Solenidade de todos os Santos”.

Daí nasce a pergunta: quem são os santos? O que significa “ser santo”? Será que a santidade está reservada para poucos cristãos?

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Foto Ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Para responder a essa pergunta, temos de lembrar um importante documento sobre a Igreja, publicado no ano de 1964, durante a celebração do Concílio Vaticano II. O título do documento, em latim, é Lumen Gentium, cujo  significado é: ‘Luz dos povos”. Inicia, pois, com a seguinte afirmação: “A luz dos povos é Cristo”.  Apresenta os seguintes capítulos: 1º ‘O Mistério da Igreja’; 2º O Povo de Deus; 3º A Constituição Hierárquica da Igreja e em especial o Episcopado; 4º Os Leigos; 5º A Vocação Universal à santidade na Igreja; 6º Os Religiosos; 7º Índole escatológica da Igreja peregrina e a sua união com a Igreja celeste; 8º A bem-aventurada Virgem Maria e a Igreja.

Todos são chamados a ser santos

Como se vê, trata-se dos aspectos mais significativos da Igreja. Mas, para responder à pergunta inicial desta reflexão, a Lumen Gentium afirma que todos os cristãos são chamados a ser santos.

O que significa isso? Todos nós, por acaso, somos chamados a “fazer milagres”?

Vamos considerar algumas reflexões do capítulo quinto do documento, que começa com as seguintes afirmações: “Cremos que a Igreja (…) é indefectivelmente santa. Pois, Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado ‘único Santo’, amou a Igreja como sua esposa. Por ela se entregou com o fim de santificá-la (cf. Ef. 5, 25-26). Uniu-a a Si como Seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo, para a glória de Deus. Por isso, na Igreja, todos — quer pertençam à hierarquia, quer sejam por ela apascentados—, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts. 4,3; cfr. Ef. 1,4); (n. 39).

Em seguida, apresenta Jesus como “mestre e modelo de santidade” (n. 40); e, a partir d’Ele, afirma que todos os cristãos são chamados a seguir Jesus. Em primeiro lugar, os bispos, os sacerdotes, os diáconos; mas também os esposos e os pais cristãos, os que vivem em estado de viuvez e os solteiros. Enfim, ‘todos os fiéis cristãos, nas condições, ofícios ou circunstâncias de sua vida e, através disso tudo, dia a dia mais se santificarão, se com fé tudo aceitam da mão do Pai celeste e cooperarem com a vontade divina, manifestando a todos, no próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo’ (n. 41).

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Chamado para a santidade

Mas, então, de que maneira os cristãos acolhem o chamado de Deus para serem santos?

Para responder a essa pergunta, vou fazer referência a uma bela notícia que recebemos recentemente. João Paulo I, que foi Papa por apenas 33 dias, será proclamado “beato”. Ele, falando uma vez aos jovens da diocese de Veneza, onde tinha sido bispo antes de ser eleito Papa, indicou um caminho simples de santidade, nestes termos: “Não se trata de fazer milagres, penitências, longas orações. É suficiente dizer um sim generoso ao dever de cada dia: é suficiente cumprir o nosso dever de cada dia com um extraordinário amor de Deus”.

Permito-me lembrar do que ouvi do meu diretor espiritual já no ano de 1961. Ele tinha conversado, alguns anos antes com Celina, irmã de sangue de Santa Teresa do Menino Jesus, que já tinha sido canonizada. Meu diretor espiritual, padre Giovanni Foffani, disse à Celina: “Fale para mim da sua irmã Santa Teresa”. Mas Celina, que também era irmã carmelita como Santa Teresa, respondeu: “A Igreja canonizou minha irmã, tudo bem! Mas deveria ter canonizado antes os meus pais!”. Sim, porque os pais de Santa Teresa do Menino Jesus, Louis e Zélie Martin, eram ótimos cristãos. Aliás, o Papa Francisco, no dia 18 outubro de 2015, os canonizou.

São muitos, pois, os caminhos da santidade. E Jesus chama todos nós a segui-Lo neste caminho.


Lino Rampazzo

Doutor em Teologia pela Pontificia Università Lateranense (Roma), Lino Rampazzo é coordenador do Curso de Teologia e professor nos cursos de filosofia e teologia da Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).

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