Mau hábito

A murmuração é um mau hábito que, infelizmente, cultivamos e praticamos com freqüência e a bel-prazer. Parece-me um apanhado de maledicências as quais não estamos isentos, mas que não nos convém praticar. Contudo, quando recaem sobre nós não suportamos o peso e assumimos a trágica miséria humana de tornar coisas aparentemente fáceis mais difíceis; segredamos nossas lamúrias.

Onde quer que estejamos estamos a reclamar, não raras vezes, de algo ou de algum fato e de seus personagens, e até justificamos nossa fala insensata a fim de sermos ouvidos e não censurados.

Não importa se nas ruas da cidade com colegas e amigos ou no trabalho, nas viagens, nas horas de lazer e entretenimento etc. Importa que, muitas vezes, não nos conformamos com algo que aparentemente nos contraria. Murmuração – o defeito -, fato e verdade que não se deve ousar negar.

Muito no relacionamento humano está sujeito à falsidade. Basta observar. Há que se ter bom senso e humildade para oferecermos possibilidades de diálogos e acolhermos propostas enriquecedoras, visto que o mundo atual tornou-se complexo e demasiado subjetivo em sua estrutura social; está esfolado pelas mais variadas formas de insatisfação e desejos mortais.

A sociedade está doente e não percebe. Necessita curar as invisíveis feridas do orgulho, pivô de muitos equívocos em nossa trajetória. O corpo social está à flor da pele porque feriu os valores mais nobres e agregou suas ações às frivolidades do cotidiano e à violência perturbadora que campeia os diversos segmentos representativos das comunidades.

O egocentrismo tem sido um dos traços marcantes do secularismo, da sociedade de consumo cada vez mais tensa e insaciável. Estão inflados e sufocam seus semelhantes; os outros que, com discursos esfarrapados, tanto defendemos quando estamos sob os holofotes e o olhar de muita gente.

Muitos há que parecem gostar de perder tempo com intermináveis murmurações inscrevendo-se na lápide da tolice; estão ao serviço de sua comodidade e ignorância. Por onde passam vivem a classificar as pessoas e apresentam-se quase sempre de mau humor e como se fossem os donos da verdade.

Há também os que nem mesmo se apercebem acerca de suas invectivas, em razão do cisco que obscurece as pupilas e alimenta a cegueira em que mergulharam.

Finalmente há os que reconhecem suas limitações, aquelas todas inerentes ao ser humano. São os que fazem um esforço imensurável, a fim de aparar arestas e exercitar a humildade, o pensamento e a fala para, com alegria, pedir perdão.

Torna-se crucial o esforço paciente e o desejo de sermos pessoas melhores para combatermos com coragem as murmurações e o desânimo, a preguiça e a rigidez mental profunda e tudo o que nos faz impedir nossos semelhantes de avançarem rumo à vitória, pois a alegria só baterá à porta daquele que, sem murmurar, semear solidariedade e estender as generosas mãos para os outros.

Artigo extraído de blog.cancaonova.com/jornalistareinaldo

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