🤔 Reflexão

As virtudes do homem, guia para a razão e a fé

O caminho da excelência moral: as virtudes humanas e divinas

As virtudes humanas são atitudes firmes, estáveis e permanentes, desejos da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé.

Créditos: Arquivo CN.

A Santíssima Trindade dá ao batizado a graça de amá-lo por meio das virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e permite-lhe crescer no bem pelas virtudes morais (justiça, temperança, prudência e fortaleza), necessárias para a santificação. Elas nos fazem viver com alegria e levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem e evita o mal.

As quatro virtudes cardeais e o equilíbrio da alma

As quatro virtudes morais são assim chamadas porque todas as outras virtudes se agrupam em torno delas. O livro da Sabedoria diz: “Ama-se a retidão? As virtudes são seus frutos; ela ensina a temperança e a prudência a justiça e a fortaleza” (Sb 8,7).

A Prudência é a virtude que dispõe a razão a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. “O homem sagaz discerne os seus passos” (Pr 14,15). “Sede prudentes e sóbrios para entregardes às orações” (1 Pd 4,7).

Santo Tomás disse que a prudência é a “regra certa da ação”, citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. E a prudência guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar. (cf. Catecismo n. 1807).

A Justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. Ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que busca o bem comum. “Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça” (Lv 19,15). “Senhores, dai aos vossos servos o justo e equitativo, sabendo que vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4,1).

A Fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela nos ajuda a resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. Ela nos ajuda a vencer o medo, inclusive da morte, e de suportar a provação e as perseguições. Dá-nos a força para aceitar a renúncia e até o sacrifício da própria vida para defender uma causa justa, como fizeram os mártires de todos os tempos. “Minha força e meu canto é o Senhor” (Sl 118,14). “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). “São muitas as provações do justo, mas de todas as livra o Senhor” (Sl 33,20).

A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados.

Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e “não se deixa levar a seguir as paixões do coração”. A temperança é, muitas vezes, louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos” (Eclo 18,30). São Tito diz que devemos “viver com moderação, justiça e piedade neste mundo” (Tt 2,12).

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A conquista da virtude com o auxílio da graça

As virtudes humanas são adquiridas pela educação e pela perseverança sempre retomada com auxílio da graça divina. O homem virtuoso sente-se feliz em praticá-las.

Não é fácil para o homem ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral. É Cristo quem nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes. Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos e cooperar com o Espírito Santo.

 


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino