🌿 Conexão

Permanecer em Deus para dar frutos

“Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Essas palavras de Jesus revelam uma verdade essencial para a vida cristã: não podemos dar frutos por nós mesmos. A fecundidade da nossa existência depende inteiramente da nossa união com Cristo.

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A intimidade que transforma

Permanecer em Deus não é apenas cumprir obrigações religiosas, mas cultivar uma relação profunda e pessoal com Ele. É no encontro diário com Jesus, através da oração, da Eucaristia e da Palavra, que recebemos a seiva divina que nos mantêm vivos e fecundos. Precisamos de um coração renovado, dócil, aberto à ação do Espírito Santo, que nos capacita a viver o Evangelho com alegria e autenticidade.

Permanecer em Cristo e colher os frutos da permanência

Quando permanecemos ligados a Cristo, os frutos surgem naturalmente: o amor ao próximo deixa de ser um esforço e torna-se expressão da nossa identidade; a evangelização flui como transbordamento da nossa experiência pessoal com Deus; a comunidade fraterna reflete a vida trinitária que habita em nós. São Paulo recorda-nos que “é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gl 5,22-23).

O desafio da fidelidade

Permanecer exige fidelidade diária. Num mundo cheio de distrações e propostas vazias, de caminhos e apelos diversos, precisamos escolher, conscientemente, onde investimos o nosso tempo e o nosso coração. A vida em família, em comunidade, em paróquia, a formação individual ou em grupos (leitores, acólitos, ministros extraordinários da comunhão, catequistas e tantos outros) e os sacramentos são meios concretos que nos ajudam a manter essa ligação vital com Cristo. Como filhos de Deus, somos chamados a apoiar-nos mutuamente neste caminho, sendo sinais do amor de Deus no mundo, nas situações concretas.

Poda que gera vida

Jesus também nos adverte: “Ele corta todo o ramo que não dá fruto em Mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda” (Jo 15,2). As dificuldades, provações e até os nossos fracassos são oportunidades de purificação, de crescimento. Deus, como agricultor zeloso, remove de nós tudo aquilo que impede uma união mais profunda com Ele.

Maria, modelo de permanência

A Virgem Maria é o exemplo perfeito de quem permaneceu em Deus. Desde o seu ‘sim’ na Anunciação até aos pés da Cruz, ela viveu em constante abertura à vontade divina. Maria guardava tudo no seu coração, meditava a Palavra e deixava-se conduzir pelo Espírito. Ao confiarmos-lhe a nossa jornada de fé, aprendemos a permanecer em Deus com a mesma docilidade e confiança, tornando-nos fecundos como ela foi fecunda ao gerar Cristo para o mundo.

O chamado à nova evangelização

Permanecer em Deus não é um fim em si mesmo, mas prepara-nos para a missão. Somos chamados a ser uma Igreja em saída, como tantas vezes o saudoso Papa Francisco nos exortou, levando a Boa Nova a todos os ambientes. Com o ardor missionário de batizados, devemos anunciar, com ousadia, que Jesus está vivo, que Ele nos ama e quer transformar cada vida. Os frutos da nossa permanência n’Ele devem alcançar as periferias existenciais, levando esperança, cura e salvação a um mundo sedento de Deus.

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Conclusão

Permanecer em Deus não é passividade, mas escolha ativa de viver na Sua presença. Quando fazemos dessa permanência o centro da nossa vida, tornamo-nos instrumentos fecundos nas mãos do Pai, levando ao mundo a alegria do Evangelho e os frutos do Reino.

Paula Ferraz
(Missionária da CN- 2º Elo; Fátima – Portugal)